Há algum tempo eu defendo que nada do que a gente vive é por acaso. Por pior que seja o acontecimento sempre dá para tirar uma ou duas boas lições, mas para isso é preciso que a gente ajuste a sintonia de aprendizagem.
Uma das dicas mais importantes que já recebi me foi dada durante as aulas de teatro amador que fiz no colégio, nos anos 90. Sempre que começava alguma discussão (geralmente, elas eram parte dos exercícios de interpretação), o diretor nos proibia de interromper o outro. "Ouve tudo o que ele tem a dizer primeiro, depois você argumenta", dizia. A teoria dele era a de que, enquanto pensamos nos argumentos para rebater as opiniões do outro durante a discussão, paramos de escutar os argumentos dele. A ideia era escutar tudo o que o outro tinha a dizer primeiro para depois pensar nas suas respostas. Parece bobo, mas faz toda a diferença. Quantas discussões não acontecem justamente porque as pessoas não conseguem conversar? Todo mundo querendo ter razão. Às vezes, ambas têm mesmo, mas um não consegue enxergar o ponto de vista do outro e entender que a discussão na verdade é à toa.
Eu tento usar um princípio parecido para amenizar as consequências dos meus preconceitos e das minhas ideias pré-concebidas, já que a gente tem uma tendência imensa a resistir ao novo.
Na vida profissional, principalmente, é muito comum a gente ver as pessoas maldizendo as mudanças antes mesmo de ouvir como elas funcionarão. Nessa hora é bom por em prática aquele aprendizado do teatro. Por mais que a ideia pareça ou seja uma bobagem (e às vezes não é só nosso preconceito, ela é ruim mesmo), primeiro ouço com atenção o que está sendo proposto. Só depois de tudo exposto, eu vou analisar meu ponto de vista. Algumas vezes, eu até prefiro colocar a ideia em prática sem concordar, só para ter a certeza que não era meu preconceito minando os acontecimentos.
Eu percebo que tem gente que se apega demais ao "não vi e não gostei". Antes mesmo de terminar de ouvir um ideia nova, a pessoa já fecha as portas e já põe o rótulo de ruim na novidade. É assim que a gente perde as chances de aprender.