terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sempre tem espaço para aprender

Há algum tempo eu defendo que nada do que a gente vive é por acaso. Por pior que seja o acontecimento sempre dá para tirar uma ou duas boas lições, mas para isso é preciso que a gente ajuste a sintonia de aprendizagem.

Uma das dicas mais importantes que já recebi me foi dada durante as aulas de teatro amador que fiz no colégio, nos anos 90. Sempre que começava alguma discussão (geralmente, elas eram parte dos exercícios de interpretação), o diretor nos proibia de interromper o outro. "Ouve tudo o que ele tem a dizer primeiro, depois você argumenta", dizia. A teoria dele era a de que, enquanto pensamos nos argumentos para rebater as opiniões do outro durante a discussão, paramos de escutar os argumentos dele. A ideia era escutar tudo o que o outro tinha a dizer primeiro para depois pensar nas suas respostas. Parece bobo, mas faz toda a diferença. Quantas discussões não acontecem justamente porque as pessoas não conseguem conversar? Todo mundo querendo ter razão. Às vezes, ambas têm mesmo, mas um não consegue enxergar o ponto de vista do outro e entender que a discussão na verdade é à toa.

Eu tento usar um princípio parecido para amenizar as consequências dos meus preconceitos e das minhas ideias pré-concebidas, já que a gente tem uma tendência imensa a resistir ao novo.

Na vida profissional, principalmente, é muito comum a gente ver as pessoas maldizendo as mudanças antes mesmo de ouvir como elas funcionarão. Nessa hora é bom por em prática aquele aprendizado do teatro. Por mais que a ideia pareça ou seja uma bobagem (e às vezes não é só nosso preconceito, ela é ruim mesmo), primeiro ouço com atenção o que está sendo proposto. Só depois de tudo exposto, eu vou analisar meu ponto de vista. Algumas vezes, eu até prefiro colocar a ideia em prática sem concordar, só para ter a certeza que não era meu preconceito minando os acontecimentos.

Eu percebo que tem gente que se apega demais ao "não vi e não gostei". Antes mesmo de terminar de ouvir um ideia nova, a pessoa já fecha as portas e já põe o rótulo de ruim na novidade. É assim que a gente perde as chances de aprender.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Bichinhos

Já contei aqui outras vezes minha paixão pelos gatos. Desde criança, quando minha mãe apareceu em casa com um filhotinho que encontrou na rua, esses são meus bichos preferidos. Mas sei que sou exceção. Por mais que a popularidade dos gatos tenha aumentado ultimamente, eles ainda são vistos com maus olhos por muitos.

Só que eu também sei que eles são, na verdade, vítimas de preconceito. Muita gente que não gosta de gato não teve oportunidade de conviver o suficiente com eles. Os argumentos de quem não gosta dos bichanos não variam muito. "Ele preferem a casa ao dono" ou "eles não são companheiros" estão entre as justificativas favoritas, mas todas essas teorias caem por terra se a pessoa passa a entender o funcionamento do gato.

Gatos são bichos com personalidade. Em um post anterior, já citei que eles são os criados com a vó do mundo animal. Não é que o gato gosta mais da casa que do dono, mas ele é apegado à rotina. Se você mudar, é melhor deixar o bichano fechadinho em um cômodo da casa nova por uns dias. Não porque ele goste mais da casa antiga do que de você, mas porque aquela casa nova não é a dele. É como uma criança mimada que tem de se mudar de cidade. Fica semanas, até meses, dizendo que aquela não é a cidade dela, a escola dela, a casa dela...

Muitos julgam os gatos como más companhias porque estão acostumados à felicidade do cachorro. Os cães fazem festa para o dono o tempo todo. Mesmo se o dono os trate mal. Esqueça este comportamento se você tem um gato. Eles são ótimas companhias, mas para quem gosta de silêncio e calma. Quando estou triste, a Preta (e antes de novembro o Chico também) não sai do meu pé. É o tempo todo por perto. Mas geralmente sem barulho algum. É como aquele amigo que sabe que às vezes tudo o que você precisa é saber que ele está por perto, sem dar conselho, sem oferecer solução. Apenas um ombro amigo.

Há algumas semanas um rapaz que trabalha comigo e que nunca gostou de gato contou que a mulher dele havia adotado uma gatinha, que deu cria seis filhotinhos. A princípio, ele não gostou muito da ideia, mas ela o convenceu a ficar com a mãe e dois filhotinhos. Nos primeiros dias, ele contava histórias dos gatos um pouco contrariado. Agora, vira e mexe posta foto dos bichinhos nas redes sociais. E não só os dele: esta semana publicou até imagens de um desenho animado antigo protagonizado por gatos.

Assim são os bichanos. Quando a gente vê está apaixonada por eles. E nem adianta querer dizer que é dono de um gato. É o gato que tem o dono.