Na adolescência, minha música preferida tinha um refrão que dizia: "me obrigue a morrer, mas não me peça pra matar". Por mais que a ideia me pareça utópica hoje, ela ainda molda muitas das minhas atitudes. Parte pela minha baixa auto-estima, parte porque eu vejo nesta afirmação a possibilidade de um mundo melhor.
Se tem algo que me incomoda muito nas pessoas é o egoísmo generalizado. E vivemos numa época muito egoísta. Todos no mesmo ambiente, mas cada um com seu próprio celular,escutando sua própria música, resolvendo sua própria vida, mostrando-se nas redes sociais muito mais bem resolvido do que realmente são (ao que parece, se não está nas redes sociais não aconteceu, mas isso é uma outra conversa).
Eu tenho uma meta revolucionária diária que é cumprimentar cobrador e motorista de todo ônibus que tomo. Já pensei em contar quantos me respondem. Tão poucos. Alguns olham de cara feia, parecendo pensar "bom dia para quem?". OK, amigo, eu também preferia estar na praia e, apesar de ter duas faculdades, acredite, meu salário não é assim tão maior que o seu. Mas cá estamos na metrópole cinza. E se a gente olhar apenas para o próprio umbigo vai ficar ainda mais difícil de viver aqui.
O próprio uso do transporte público faz parte da minha bandeira "sejamos coletivos". Eu sempre defendo que se 18 milhões decidirem pegar o carro para se locomover, não sairemos do lugar. Mas parece que meu discurso é coisa de gente pobre que não tem dinheiro para comprar um carro ou pagar a gasolina. Ou que eu só digo isso porque moro bem, afinal perto da minha casa é diferente, os ônibus são ótimos...
A verdade é que é mais fácil ser egoísta. Muito mais confortável para mim pensar nas minhas vantagens. Mas este é o mundo que queremos? A gente quer cada um no seu canto, em uma disputa eterna por espaço e atenção? Não seria melhor um mundo onde todos tivessem um pouco menos, mas vivessem felizes?