Nessa fase sem emprego fixo, tenho pensado bastante no valor do trabalho e no preço que se dá a ele e cheguei à conclusão de que, além de tudo ter seu preço, quem não ganha dinheiro não tem valor. Uma visão pessimista, sei. Como se pode ver no post anterior, não ando na fase mais bem resolvida quanto à minha vida profissional.
O que tenho sentido é que, sem vida profissional definida, a gente é um pouco invisível. Nas conversas do dia a dia, o trabalho é sempre o assunto dominante. E não é que eu não trabalhe. Eu faço meus frilas como jornalista e faço meus quitutes quando acho alguém disposto a pagar por eles, mas eu não tenho holerite, nem cartão de visitas, endereço comercial, e-mail corporativo... Essas coisas que parecem ter mais valor do que a felicidade no mundo em que vivemos.
Claro, eu só posso me dar ao luxo de não ter emprego fixo porque tenho quem segure as pontas para mim em casa. Sei disso e não sou hipócrita a ponto de fazer coro com essa gente que fala que dinheiro não traz felicidade. Eu sei que, para ser feliz, é preciso um mínimo de dinheiro. Com fome, doente e sem um pouquinho de conforto ninguém tem alegria.
Só que eu também acredito que a gente é mais que a nossa profissão. Eu sou eu antes de ser jornalista ou cozinheira ou qualquer outra coisa. Sim, minha profissão me define em parte, mas não é ela que me dá o meu valor. Ou ao menos não deveria ser.