quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A padronização do mundo

Tenho a impressão que atualmente as pessoas sonham em viver em um mundo de iguais. As manifestações nas redes sociais me parecem uma prova disso. Todo mundo no Facebook tem uma velha opinião formada sobre tudo e quer convencer os seguidores que aquela é a única maneira de se ver o mundo. É quase um nazismo. O que é diferente de mim não presta.

Eu não consigo entender como alguém pode achar que um mundo assim pode ser interessante. Vem à minha cabeça imagens do clipe de Another Brick in the Wall. Um monte de gente igual, fazendo movimentos iguais. Claro que a maioria das pessoas acha que a própria opinião é a certa, mas aí achar que é a única...

E esse comportamento de padronização não é só para opiniões _isso já seria bem chato_, mas também querem promover a igualdade dos comportamentos. Não entendo por que colocar os procedimentos banais do dia a dia em uma linha de produção.

Eu detesto tempero em salada, por exemplo. No máximo, acrescento às folhas um bom azeite e um pouquinho de sal. Mas basta eu ir à casa de alguém que gosta de folhas banhadas em molho para causar mal-estar. Não é que quando a pessoa me oferece a salada pronta eu grite: "eu não vou comer essa coisa temperada! Credo!".

Geralmente, o que acontece é que, antes de a pessoa temperar o prato, eu peço licença para separar um pouquinho sem tempero. Claro que eu só faço isso na casa das pessoas com quem tenho intimidade.

Pronto, é o suficiente para a falta de tempero da salada ser tema da conversa pelos próximos minutos: "mas nem um vinagrezinho?", "não acredito que você come isso assim", "põe um limão, ao menos"... Sim, eu gosto de salada sem gosto. E daí?

Parece que o diferente causa tamanho desconforto que a pessoa quer que você mude imediatamente. Ela não acredita que você queira algo fora do padrão dela. É como se a pessoa pensasse que você ainda não conhecesse o que é bom e por isso opta pelo o que é ruim. Não que gosta de outra coisa.

domingo, 7 de outubro de 2012

Vida de frila

Ser frila tem um monte de vantagens: fazer seu próprio horário, trabalhar de pijamas quando se está com vontade, resolver os problemas pessoais entre uma entrevista e outra e até correr no meio do dia quando não tem nenhum compromisso profissional agendado.

Mas, obviamente, como tudo na vida, tem seu lado ruim. Há dias estou com problemas para fazer uma matéria. Dificuldades comuns de qualquer trabalho, com o agravante de que se trata de um assunto que não gosto e _provavelmente por isso_ não entendo.

E como eu tenho mania de achar que eu preciso ser perfeita, além de ter uma meta impossível de alcançar, eu fico com a minha ansiedade em níveis altíssimos.

Esse defeito já era péssimo quando eu era contratada de apenas uma empresa. Só que, no geral, eu "me permitia" algumas imperfeições em prol do "conjunto da obra". Era como se, um dia ou outro, eu não conseguisse cumprir a meta, eu não tivesse tanto problema porque aquelas pessoas me conheciam e sabiam que eu tentava fazer o meu melhor. Mesmo ele sendo insuficiente, era o máximo que eu poderia.

Mas sendo frila, a situação piora porque é como se a cada trabalho fosse um novo teste. E, não importa o quanto eu tente, nunca é suficiente. A meta da perfeição nunca será alcançada e eu vou sempre sofrer.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Exaltando as qualidades

Semana passada, durante a sessão de terapia, a analista me convenceu de que eu sou corajosa. Eu nunca achei isso. Pelo contrário, sempre me senti uma grande banana (já até citei o problema no post Medo do sucesso).

Mas, em 50 minutos, ela conseguiu me mostrar o que eu não vi em mais de 30 anos: passei por diversas situações que deixariam muita gente apavorada, mas eu nem percebi que precisava de coragem para realizá-las.

Mesmo eu sendo o ser mais pensante do mundo (a minhocasa tem trabalho 24 horas por dia), muitas vezes, faço as coisas no automático. Como eu sempre acho que devo fazer o que esperam que eu faça da melhor maneira possível e que nunca vou dar conta, acabo pondo os atos corajosos no mesmo saco que os atos malfeitos.

Essa falta de autovalorização não me deixa ver que, na verdade, o acontecido exigiu de mim uma postura corajosa. Sem nem me dar conta, acabo desdenhando vários lampejos de coragem. Depois dessa observação estou quase me sentindo a Mulher Maravilha.