Tenho a impressão que atualmente as pessoas sonham em viver em um mundo de iguais. As manifestações nas redes sociais me parecem uma prova disso. Todo mundo no Facebook tem uma velha opinião formada sobre tudo e quer convencer os seguidores que aquela é a única maneira de se ver o mundo. É quase um nazismo. O que é diferente de mim não presta.
Eu não consigo entender como alguém pode achar que um mundo assim pode ser interessante. Vem à minha cabeça imagens do clipe de Another Brick in the Wall. Um monte de gente igual, fazendo movimentos iguais. Claro que a maioria das pessoas acha que a própria opinião é a certa, mas aí achar que é a única...
E esse comportamento de padronização não é só para opiniões _isso já seria bem chato_, mas também querem promover a igualdade dos comportamentos. Não entendo por que colocar os procedimentos banais do dia a dia em uma linha de produção.
Eu detesto tempero em salada, por exemplo. No máximo, acrescento às folhas um bom azeite e um pouquinho de sal. Mas basta eu ir à casa de alguém que gosta de folhas banhadas em molho para causar mal-estar. Não é que quando a pessoa me oferece a salada pronta eu grite: "eu não vou comer essa coisa temperada! Credo!".
Geralmente, o que acontece é que, antes de a pessoa temperar o prato, eu peço licença para separar um pouquinho sem tempero. Claro que eu só faço isso na casa das pessoas com quem tenho intimidade.
Pronto, é o suficiente para a falta de tempero da salada ser tema da conversa pelos próximos minutos: "mas nem um vinagrezinho?", "não acredito que você come isso assim", "põe um limão, ao menos"... Sim, eu gosto de salada sem gosto. E daí?
Parece que o diferente causa tamanho desconforto que a pessoa quer que você mude imediatamente. Ela não acredita que você queira algo fora do padrão dela. É como se a pessoa pensasse que você ainda não conhecesse o que é bom e por isso opta pelo o que é ruim. Não que gosta de outra coisa.