quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Impotência

Faz uns meses que me sinto sem forças. Claro, parte do sentimento de impotência vem da minha autocobrança. Sou exigente demais comigo mesma. Mas uma porção vem do cansaço das mudanças dos últimos tempos. E agora, para fechar com chave de ouro, passarei por uma mudança física: trocarei de endereço.

Já mencionei aqui um milhão de vezes que eu adoro mudanças, mas sempre tem o estresse que envolve o processo. Desde 2011, quando deixei meu trabalho no jornal, eu já passei por muita coisa diferente. E, agora, o sentimento de impotência é enorme, já que a maioria das coisas que envolve a mudança está atrelada a fornecedores. Infelizmente, apesar do crescimento imenso, o setor de construção civil _e os serviços envolvidos com ele_ parece que ainda não chegou ao profissionalismo.

Achar fornecedores pela internet é complicado. Quando muito, tem o telefone. Os endereços estão desatualizados, e-mail e site são artigos de luxo... E se o serviço que você precisa é específico então, esqueça. Não vai achar.

Paralelo a isso, ainda estou vivendo a sensação de impotência no trabalho. Parece que por mais que eu tente, não vejo bons resultados. Tento mudar de atitude, mas os hábitos (meus e dos outros envolvidos) parecem ter uma força sobrenatural. Tudo se complica e arrasta e, por mais que eu queira deixar essa rabugenta para trás, sempre estou me lamuriando.

Nesta semana corrida, tudo o que eu queria era conseguir produzir eficientemente. Oferecer mais resultado com menos recurso, como o mundo corporativo adora apregoar que é o ideal. No entanto, me sinto uma representante do esteriótipo da funcionária pública, com raciocínio lento, sem capacidade de execução, com dificuldade de por em prática as ideias que facilitariam a minha vida.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As infâncias alheias

Não entendo este saudosismo das pessoas em relação às suas infâncias. Há mais de uma semana, uma porção de gente tem trocado suas fotos do Facebook por imagens em suas versões mínis, quase sempre acompanhadas de comentários do tipo era feliz e não sabia. Eu nem fotos da infância tenho comigo. E também não tenho toda esta saudade daquele tempo.

Talvez porque, naquela época, eu não pensasse menos que agora, mas tinha bem menos recurso para lidar com todo este caos que reina na minhocasa. Todo esse sentimento de não pertenço lá era tão mais forte e violento. Tão mais visível para mim. Eu ainda não tinha o tal orgulho de ser não gostável, mas era tão ou mais não gostável que agora.

Eu não conseguia entender por que eu não podia ser tão expansiva quanto os meninos, por que eu não tinha o direito de ser brincalhona, de ser quem eu gostava de ser. Exigiam de mim um comportamento que não era meu. E levou anos para eu entender que nadar contra a corrente tem seu preço.

Postar hoje uma fotinho daquele tempo, ao menos para mim, seria um retrocesso. Posso estar sendo despeitada, mas duvido que toda esta galera que se diz resultado de uma criança feliz também não está "feicebucando" a realidade.