sábado, 28 de setembro de 2013

"Você é muito brilhante para se afogar assim"

Os 35 chegaram e com eles a minha usual crise da década (fazendo um balanço, acabo de perceber que minha outra depressão foi aos 15 anos. Vou lembrar de perguntar à minha mãe se tive crise aos 5 anos também). Mas se tem algo positivo de se passar nos 30 anos é a chegada da maturidade. A gente aprende a deixar de nhenhenhém e corre atrás da solução (OK, nem todo mundo é assim. Conheço um punhado de gente que adora reclamar da situação, mas não muda uma vírgula para sair dela).

Há algumas semanas, eu fui à ginecologista e ela, percebendo meu grau de ansiedade, começou a investigar como eu estava. Em três perguntas, ela me levou às lágrimas. Justamente porque contando para ela que me conformei com a situação da minha profissão, eu me dei conta de que estava mentindo para mim mesma. Eu quero mais. Eu quero a paixão do maestro João Carlos Martins. E ela me disse uma frase que vem martelando na minha cabeça desde então: "Você é muito brilhante para se afogar assim".

Pode parecer bobagem, mas aquela citação típica de livros de autoajuda me fez perceber que eu realmente sou dona do meu destino. O que acontece na minha vida é resultado direto das minhas atitudes. Eu sou a responsável pela maneira como o outro me trata. Eu devo me respeitar para que o desrespeito alheio não me atinja.

A minha situação profissional é o ponto nefrálgico da atual crise. Estava me sentindo incompetente, deslocada, inútil até. Mas como não se muda a situação agindo da mesma maneira, eu resolvi que era a hora de fazer diferente: virei a maníaca das planilhas, coloquei o trabalho em dia a custas de trabalho escravo horas-extras pro bono, passei a me esforçar para entender que algumas críticas viriam independente do resultado alcançado... Isso mudou a minha vida. Tirar o foco de mim, entender que isso não estava no plano pessoal me libertou.

Não vou mentir. A falta de reconhecimento ainda me deixa muito decepcionada, mas aprendi a focar nos meu objetivo: fazer o meu melhor. Faço por mim, para valorizar a profissional que eu quero ser, não para atender a demanda impossível. Não sou perfeita, claro, mas me esforço para entregar o que é melhor dentro das minhas condições.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O orgulho de ser não gostável

Na teoria, eu sei: impossível agradar a todo mundo. Mas lá no fundo eu sou um ser humano normal que quer ser unanimidade, admirada por todos, gostável para todo mundo que souber da minha existência. Só que se tem uma coisa que anos de terapia me ensinaram foi que ou eu mudo a contento de quem eu quero agradar ou eu me conformo que posso ser não gostável.

Simples assim. Por muito tempo eu insisti na ideia de que eu sendo do meu jeito, as pessoas tinham de gostar de mim como eu era. Mentira. Eu gosto do jeito que eu sou, mas vai ter lá um montão de gente que me acha imbecil. Paciência.

Às vezes, eu acho que se eu entrasse na onda de fingir que gosto das mesmas coisas que a maioria, eu estaria mais perto do ser gostável. Com alguns, posso dizer que sou fã de Woody Allen. Com outros, falar de poesia francesa ou comentar o CQC da semana... Mas tenho sono. Posar de entendida dá preguiça. Não vou falar que achei o filme genial se dormi no cinema. Não é que eu ache bonita a minha ignorância, eu apenas tenho noção da existência dela. Se eu não sei, não sei.

OK, o título deste post é mentiroso. Eu não tenho orgulho de ser não gostável, eu apenas aprendi que essa é uma realidade inevitável. No dia a dia, não é raro eu me chatear quando percebo que as pessoas não gostam de mim, mas se eu também me dou o direito de não gostar de algumas pessoas não posso impedi-las.