Eu comecei a correr há pouco mais de um ano e meio por influência de uma grande amiga. Em pouco tempo, assim como ela, fiquei viciada na corrida. Correr é muito divertido. Sou obrigada a concordar com essa amiga quando ela fala que quem nunca cruzou uma linha de chegada não conhece a verdadeira felicidade.
Mas não é apenas diversão e endorfina que trazem o bem-estar após alguns quilômetros percorridos. A corrida é uma das poucas atividades em que o esforço é, sim, recompensado. Digo poucas porque não quero parecer a dona da verdade, mas eu confesso que não conheço nenhuma outra com uma relação tão direta entre esforço e recompensa. É simples assim: treinou bem, correu bem; treinou mal, correu mal.
Estou inscrita no percurso de 21 km (meia maratona) na Maratona do Rio, que acontece no dia 8 de julho, e por isso tenho mantido uma certa frequência nos treinos. Resultado: domingo passado, eu senti que poderia correr muito mais depois de ter completado os 10 km na Maratona de São Paulo. Treinei bem, corri bem.
Na minha primeira prova de 10 milhas (16 km), eu treinei direitinho. No mês que antecedeu a corrida, eram três treinos por semana, mesmo quando estava viajando. Mas, como não comi bem nas horas anteriores, durante a prova eu tive um desarranjo intestinal (nome bonito para o bom e velho piriri).
Foi horrível, sofri por longos 8 km até achar um banheiro em um posto de gasolina no meio da marginal Pinheiros, mas cheguei ao fim da prova. Apesar de tudo, terminei dentro do tempo que eu esperava.
E esta é a outra vantagem da corrida: aprender a superar seus próprios limites. Pessoas como eu, com auto-estima prejudicada, tendem a achar que não sabem fazer nada (e quem me conhece sabe que eu sou rainha em acreditar na minha própria burrice). Mas quando estou em uma prova, não admito largar o percurso pela metade. Corro, ando, choro, rezo, se for o caso, mas chego ao final e cruzo a linha de chegada com as mãozinhas para cima, feliz.
Mais que um exercício para meu corpo, a corrida é um ótimo exercício para a minha cabeça. Ao menos quando eu calço meus tênis, eu sei que todo aquele esforço será recompensado com uma medalha e uma sensação de superação. No final, serei feliz para sempre. Ao menos na corrida a vida é, sim, justa como nos contos de fadas.