terça-feira, 26 de junho de 2012

Ideias fragmentadas

Quando eu criei este blog, minha intenção era colocar as ideias um pouco no lugar. Sou assim desde pequena. É muito mais fácil para mim me expressar na escrita. Esse blog nasceu depois que eu passei um dia todo chorando, quase sem levantar da cama, alimentando pensamentos nada saudáveis. Percebi que era a hora de voltar a escrever.

É curioso o papel catártico que a escrita tem para mim. Talvez seja porque eu pense muito rápido e, quando escrevo, os pensamentos podem existir por mais tempo e assim eu consigo chegar mais perto do entendimento. Mas eu tenho fases em que os pensamentos estão tão confusos na minhocasa que eles simplesmente não querem se organizar em texto.

Hoje é um desses dias. Várias dúvidas passeando na cabeça, muitas frustrações, mais um monte de sonhos e um punhado de planos... Mas nada consegue ir para a sua pastinha colorida etiquetada. Todas as minhocas ali, andando de um lado para o outro, se enroscando, trombando umas nas outras.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Como em um conto de fadas

Eu comecei a correr há pouco mais de um ano e meio por influência de uma grande amiga. Em pouco tempo, assim como ela, fiquei viciada na corrida. Correr é muito divertido. Sou obrigada a concordar com essa amiga quando ela fala que quem nunca cruzou uma linha de chegada não conhece a verdadeira felicidade.

Mas não é apenas diversão e endorfina que trazem o bem-estar após alguns quilômetros percorridos. A corrida é uma das poucas atividades em que o esforço é, sim, recompensado. Digo poucas porque não quero parecer a dona da verdade, mas eu confesso que não conheço nenhuma outra com uma relação tão direta entre esforço e recompensa. É simples assim: treinou bem, correu bem; treinou mal, correu mal.

Estou inscrita no percurso de 21 km (meia maratona) na Maratona do Rio, que acontece no dia 8 de julho, e por isso tenho mantido uma certa frequência nos treinos. Resultado: domingo passado, eu senti que poderia correr muito mais depois de ter completado os 10 km na Maratona de São Paulo. Treinei bem, corri bem.

Na minha primeira prova de 10 milhas (16 km), eu treinei direitinho. No mês que antecedeu a corrida, eram três treinos por semana, mesmo quando estava viajando. Mas, como não comi bem nas horas anteriores, durante a prova eu tive um desarranjo intestinal (nome bonito para o bom e velho piriri).

Foi horrível, sofri por longos 8 km até achar um banheiro em um posto de gasolina no meio da marginal Pinheiros, mas cheguei ao fim da prova. Apesar de tudo, terminei dentro do tempo que eu esperava.

E esta é a outra vantagem da corrida: aprender a superar seus próprios limites. Pessoas como eu, com auto-estima prejudicada, tendem a achar que não sabem fazer nada (e quem me conhece sabe que eu sou rainha em acreditar na minha própria burrice). Mas quando estou em uma prova, não admito largar o percurso pela metade. Corro, ando, choro, rezo, se for o caso, mas chego ao final e cruzo a linha de chegada com as mãozinhas para cima, feliz.

Mais que um exercício para meu corpo, a corrida é um ótimo exercício para a minha cabeça. Ao menos quando eu calço meus tênis, eu sei que todo aquele esforço será recompensado com uma medalha e uma sensação de superação. No final, serei feliz para sempre. Ao menos na corrida a vida é, sim, justa como nos contos de fadas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O marketing pessoal

Se tem algo em que eu sou ruim é no marketing pessoal. Ruim demais. Eu mesma não acredito no que eu posso fazer e aí surge um dos maiores problemas na minha busca pelo emprego.

Em outras palavras: se eu já fosse funcionária da empresa e aquelas coisas todas que o entrevistador me pergunta se eu daria conta de fazer caíssem sobre a minha mesa para serem resolvidas até o fim do dia, muito provavelmente, elas seriam feitas sem problemas. Ou com problemas, mas seriam feitas. Só que quando alguém me pergunta "você sabe fazer isso?" eu sempre hesito em responder. Nunca acho que a gente saiba realmente se sabe fazer algo. Tudo é uma tentativa. Pode ser que algo que você faz diariamente, um dia, numa tentativa, não dê certo.

Por exemplo, durante um dos frilas que fiz este ano, precisamos confirmar uma informação no meio da madrugada. Eram três jornalistas na redação. Os três tentando. Eu tive a sorte de ter a ligação atendida e confirmei o fato, enquanto os outros dois colegas, tentando da mesma maneira que eu, não tiveram a mesma sorte. Podia ter sido eu a azarada. Aquele dia, por obra do destino não fui, mas em muitas outras ocasiões fui eu que dei azar.

Como é que eu vou dizer ao entrevistado: sim, eu consigo confirmar informações de mortes no meio da madrugada? Um dia eu consegui. No outro não. Não quer dizer que, por isso, eu não seja capaz de ter o cargo que tenha essa como uma das funções. Não é uma questão de não saber fazer. É que, às vezes _muitas vezes_, mesmo sabendo um jeito de fazer não é suficiente.

Sem contar que sempre achei de uma arrogância sem fim aquela gente que diz que sabe fazer tudo. Gente que se diz inteligente me dá sono.

Foi assim que cheguei à conclusão que meu problema não é não saber, mas é ter a consciência de que eu não sei. Porque se eu fosse ignorante, mas me achasse sabidona, eu seria boa em marketing pessoal e, provavelmente, a uma hora dessas já teria um bom emprego.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cada história tem seus lados

No feriado da última quinta-feira, estava indo para a academia quando uma senhora embarcou no mesmo ônibus, que estava praticamente vazio. Comigo deviam ser cinco passageiros.

Ao encostar na catraca, a mulher que levava um buquê de lírios nas mãos virou para o cobrador que conversava com o motorista na frente do coletivo com um certo tom de arrogância e disse: "Vamos trabalhar um pouco?". O homem não gostou nada da ironia e respondeu com a voz um pouco alterada. "Eu estou trabalhando desde 4h, minha senhora. Tenha um pouco de educação com as pessoas", reclamou.

A senhora, por sua vez, achou-se no direito de jogar na cara do cobrador que era aposentada. "Já trabalhei muito na vida, agora posso passear". O bate-boca continuou por alguns metros, até ela descer no mesmo ponto que eu.

Cada um foi para o seu lado e eu fiquei pensando na cena por algum tempo. Com certeza, os ouvintes da história na versão do cobrador darão razão a ele. Onde já se viu? A mulher entra no ônibus, no meio do feriado, e vem com grosseria para cima de quem está trabalhando. Só porque é velha acha que pode maltratar os mais novos.

Por outro lado, os parentes da velhinha também devem estar certos de que o cobrador foi muito do mal-educado: em vez de estar em seu posto, fica lá, de papo com o motorista, fora do lugar dele, ainda atrapalhando a atenção do condutor. A senhora tem de esperar em pé ao lado da catraca até que ele tenha a boa vontade de fazer o serviço dele. Serviço pelo qual é pago. Absurdo.

Eu, uma espectadora quase imparcial, tive a impressão de que o conflito -assim como muitos outros que vemos todos os dias- teria sido evitado se cada um dos envolvidos tivesse se colocado no lugar do outro. Afinal, os dois tinham razão. O cobrador tinha, sim, de estar no posto dele. Mas a mulher também devia ter usado um pouco mais de educação. No entanto, um quis ter mais razão que o outro, quis ganhar no grito aquilo que a argumentação mostrou estar empatado.

Um espaço necessário

Estava enjoada de meu blog anterior e decidi que fase nova exige espaço de escrita novo. Foi assim que nasceu o Disponível pro Mercado. Nesta fase de desemprego, colocar as ideias que habitam a minhocasa em textos é mais que necessário, já que o escrever sempre teve a função de etiquetar minhocas na minha vida.