Ontem fomos todos surpreendidos pela notícia de suicídio de um ex-colega de trabalho. Alguém comum, que dava sinais de que não se encaixava no mundo, como todos nós em alguns momentos da vida damos. Mas obviamente ninguém esperava de verdade que a solução que ele encontraria para exterminar sua angústia fosse dar fim à própria vida.
Tem um nó no meu peito desde que recebi a notícia. Além da tristeza de ver uma pessoa de 35 anos decidir por não viver mais, o fato me trouxe um trilhão de lembranças à memória. Dos tempos em que eu também achava que o melhor para mim e para quem era obrigado a conviver comigo seria se eu não existisse mais.
Se identificar com esse colega é o que está me assustando mais. Não, hoje não tenho mais esta intenção. Há muitos anos, graças a Deus, eu desisti da ideia. Mas hoje estou aqui pensando: e se eu não tivesse desistido? E se eu, assim como este colega, nos prós e nos contras tivesse decidido por também me atirar pela janela? E se aquele pensamento que me impediu com a imagem da minha mãe chegando em casa e me vendo sem vida não tivesse passado pela minha cabeça naquela hora?
Sei, não devemos viver no "e se", mas desde ontem não sai da minha cabeça como um ato pode mudar um destino. Uma única atitude marca para sempre a vida de muitas e muitas pessoas. Por mais triste que seja, essa atitude dele levou todos nós a pensar em valorizar mais os amigos e a não deixar para depois as manifestações de carinho.
Espero que ele tenha encontrado a paz. Finalmente.