quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

É hora de agradecer

Chega esta época e não tem muito como escapar do balanço de fim de ano. É hora de olhar pra trás. Tirar os ensinamentos das coisas ruins, relembrar as coisas boas e seguir.

2012 foi um ano muito importante para mim. Acho que foi o ano que eu mais aprendi em toda a minha vida. Aprendi que tudo bem assumir que eu dependo das pessoas que amo, que não temos nenhuma certeza nesta vida, que os amigos e a família são essenciais na nossa vida e que a felicidade pode estar em todas as coisas.

Ficar sem trabalhar e depender oficialmente de alguém pode parecer simples para muitas pessoas, mas para mim foi muito difícil. Eu tinha a falsa impressão de que não precisava de ninguém na vida e aprender a pedir ajuda foi muito bom. Claro que ter alguém especial do meu lado fez toda a diferença. E isso foi algo que eu aprendi também: dar valor a pessoas especiais que tenho na vida porque infelizmente elas não são para sempre.

Uma das lições mais difíceis foi aprender que a vida é curta e que não se tem nenhuma certeza. Tudo estava bem e, de repente, meu gatinho aparentemente saudável foi para o céu dos bichinhos. Ainda estou de luto, mas aos poucos estou aprendendo que nossa decisão de sacrificá-lo foi o que poderíamos fazer por ele. Quase dois meses depois parece mais fácil acreditar que um dia eu me perdoarei por ter tomado esta decisão.

Depois que o Chico morreu eu fiquei com mais vontade de dizer às pessoas que amo o quanto elas são importantes pra mim. Mas nunca fui boa para me expressar falando. Meu negócio é escrever (só que até assim está difícil atualmente. Há dias tenho pensado neste post de agradecimento, mas estava evitando porque meu luto ainda me faz chorar muito).

Apesar da dor, a partida do meu gatinho me ensinou muito também. Além de me mostrar que a gente não pode contar com um futuro certo, que tudo muda sem que a gente espere, ainda me mostrou que é possível achar felicidade em tudo, é só querer. Valorizar a vida é a lição que a gente tira da morte.

Aprendi a dar valor nas coisas simples. Neste mês, fiquei feliz ao conquistar o emprego novo, ao escrever o meu primeiro release, ao receber o valor do vale-refeição no primeiro dia de trabalho, ao ganhar um doze-avos do 13º, ao ver que fiz minha vó sorrir com um Papai Noel que solta bolinha de sabão, ao fazer as pessoas um pouquinho felizes por comerem um dos meus cupcakes entregues em lindas caixinhas de Natal, ao encontrar os amigos na praia...

São coisas cotidianas que nos fazem felizes. Não dá para esperar as férias, a mudança, o dinheiro... O momento é este. Este é o grande aprendizado do ano: ser feliz aqui e agora.

Um 2013 feliz para todos nós!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fim da disponibilidade

E eis que o título deste blog virou uma mentira. Não estou mais disponível para o mercado, mas ao menos por enquanto não vou mudar este título.

Quando criei este blog, a intenção era ter um espaço para tirar as minhocas da cabeça. E, já que no meu trabalho novo vou escrever pouco, ainda vou precisar deste blog. Este continuará sendo um lugar para discutir minhas opiniões sobre o mundo.

Estou muito animada com o novo trabalho. Aprender novas tarefas, desenvolver o inglês _meu maior desafio_, conhecer gente diferente, ter responsabilidades que nunca tive antes...

O bom de ficar mais de um ano sem trabalho fixo é que minha vontade de trabalhar é tanta que nem sobra muito espaço para minhas inseguranças. Espero de verdade me adaptar à nova realidade.

domingo, 25 de novembro de 2012

Autolimitações

Pronto, as férias acabaram. E com elas também a minha limitação de busca pelo emprego. Agora, além dos frilas, posso também ir atrás de empregos fixos. Mas não é tão fácil. Além da dificuldade de encontrar vagas em uma área em crise, com um jornal fechando em cada esquina, ainda tem minhas próprias barreiras.

Crio uma porção de autolimitações. A do momento é a língua inglesa. Simplesmente não consigo ser fluente no idioma. Todas as minhas ideias para resolver este problema ficam nos planos e não tomo nenhuma atitude concreta para resolver isso.

Na teoria é simples. Eu sei qual é minha limitação. Deveria traçar um plano e resolvê-la. Simples assim. Mas não, eu tenho preferido vestir a carapuça de vítima e ficar reclamando: eu não sei, eu não consigo, eu não posso...

E pensar que quando eu fui estudar letras, eu que achava que a faculdade iria me ajudar. Pelo contrário. Agora eu sinto vergonha de, mesmo com um diploma em inglês, não ser fluente.

O que me resta? Aproveitar que amanhã é segunda-feira, dia oficial dos começos, traçar um real plano de ação e resolver de uma vez por todas este problema. Chega de me esconder atrás das minhas autolimitações. Gente chata quem só reclama, né?

domingo, 4 de novembro de 2012

Não mais

É o fim da capa plástica no sofá. Não é preciso mais apertar a tampa do lixo para que ela não abra no meio da noite ao ser derrubada em busca de um ossinho. Sem mais necessidade de esconder no micro-ondas as sobrinhas da comida. Acabaram as patinhas estendidas para chamar atenção. Sem mais miados desesperados pedindo um pedaço de carne, um pão de queijo ou uma fatia de muçarela. Chega de barriga para cima no corredor. De preguiça embaixo do edredom.

O Chiquinho foi pro céu dos gatos. Encontrar São Francisco e os outros anjos de quatro patas que tanto alegraram as nossas vidas um dia. A dor de perdê-lo é enorme, mas não chega nem perto do tamanho da felicidade de ter sido dona dele por mais de dez anos.

Descanse em paz, meu amor gato.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Anjos de patas

Bichos de estimação são seres curiosos. Mesmo sem dizer uma palavra (e até por isso), muitas vezes, são as nossas melhores companhias. Incontáveis são os dias tristes que já passei só com o Chico e a Preta do meu lado, como se quisessem dizer que nunca estou sozinha.

Agora que o Chico está doente, tenho pensado muito sobre o quanto os gatos são importantes para mim. Hoje o gato que já teve o apelido de Chico Pacotinho por sair correndo para pedir comida toda vez que a gente abria um pacote está recusando até carne moída. Triste demais.

Eu desde sempre amo gatinhos. Quando era pequena tinha vários. Um em especial, o Tico, era meu preferido. Ele nasceu lá em casa e não tinha um dos olhinhos. Acho que por ele ser diferente eu acabei me apegando mais a ele. Todos os dias o Tico me esperava chegar da escola para brincarmos de escolinha. Eu o ensinava a ler as sílabas na lousa. Ele ficava lá, do meu lado, sentado, ouvindo minhas histórias.

Os gatos são bichos com personalidade forte. Eu não conheço um gato que fique muito perto de quem não gosta deles. Só se for para deixar a pessoa com medo. E essa é a parte mais divertida dos gatos. Eles são donos de si. Talvez por isso eu os admire tanto. Eles sabem o poder que têm e usam isso a seu favor.

Não concordo quando dizem que os gatos gostam mais da casa que do dono. Eles só não gostam de mudar de casa. São mimados. Os criados com a vó do reino animal. Querem tudo do jeito deles. Depois que se tem gato, a casa segue algumas regras deles. Por exemplo, por mais que o dono tente, sem uma barreira física poderosa, não conseguirá deixar o bichano longe do sofá. Mas confesso que hoje uma boa afiada de unha no braço do sofá me deixaria bem feliz.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A padronização do mundo

Tenho a impressão que atualmente as pessoas sonham em viver em um mundo de iguais. As manifestações nas redes sociais me parecem uma prova disso. Todo mundo no Facebook tem uma velha opinião formada sobre tudo e quer convencer os seguidores que aquela é a única maneira de se ver o mundo. É quase um nazismo. O que é diferente de mim não presta.

Eu não consigo entender como alguém pode achar que um mundo assim pode ser interessante. Vem à minha cabeça imagens do clipe de Another Brick in the Wall. Um monte de gente igual, fazendo movimentos iguais. Claro que a maioria das pessoas acha que a própria opinião é a certa, mas aí achar que é a única...

E esse comportamento de padronização não é só para opiniões _isso já seria bem chato_, mas também querem promover a igualdade dos comportamentos. Não entendo por que colocar os procedimentos banais do dia a dia em uma linha de produção.

Eu detesto tempero em salada, por exemplo. No máximo, acrescento às folhas um bom azeite e um pouquinho de sal. Mas basta eu ir à casa de alguém que gosta de folhas banhadas em molho para causar mal-estar. Não é que quando a pessoa me oferece a salada pronta eu grite: "eu não vou comer essa coisa temperada! Credo!".

Geralmente, o que acontece é que, antes de a pessoa temperar o prato, eu peço licença para separar um pouquinho sem tempero. Claro que eu só faço isso na casa das pessoas com quem tenho intimidade.

Pronto, é o suficiente para a falta de tempero da salada ser tema da conversa pelos próximos minutos: "mas nem um vinagrezinho?", "não acredito que você come isso assim", "põe um limão, ao menos"... Sim, eu gosto de salada sem gosto. E daí?

Parece que o diferente causa tamanho desconforto que a pessoa quer que você mude imediatamente. Ela não acredita que você queira algo fora do padrão dela. É como se a pessoa pensasse que você ainda não conhecesse o que é bom e por isso opta pelo o que é ruim. Não que gosta de outra coisa.

domingo, 7 de outubro de 2012

Vida de frila

Ser frila tem um monte de vantagens: fazer seu próprio horário, trabalhar de pijamas quando se está com vontade, resolver os problemas pessoais entre uma entrevista e outra e até correr no meio do dia quando não tem nenhum compromisso profissional agendado.

Mas, obviamente, como tudo na vida, tem seu lado ruim. Há dias estou com problemas para fazer uma matéria. Dificuldades comuns de qualquer trabalho, com o agravante de que se trata de um assunto que não gosto e _provavelmente por isso_ não entendo.

E como eu tenho mania de achar que eu preciso ser perfeita, além de ter uma meta impossível de alcançar, eu fico com a minha ansiedade em níveis altíssimos.

Esse defeito já era péssimo quando eu era contratada de apenas uma empresa. Só que, no geral, eu "me permitia" algumas imperfeições em prol do "conjunto da obra". Era como se, um dia ou outro, eu não conseguisse cumprir a meta, eu não tivesse tanto problema porque aquelas pessoas me conheciam e sabiam que eu tentava fazer o meu melhor. Mesmo ele sendo insuficiente, era o máximo que eu poderia.

Mas sendo frila, a situação piora porque é como se a cada trabalho fosse um novo teste. E, não importa o quanto eu tente, nunca é suficiente. A meta da perfeição nunca será alcançada e eu vou sempre sofrer.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Exaltando as qualidades

Semana passada, durante a sessão de terapia, a analista me convenceu de que eu sou corajosa. Eu nunca achei isso. Pelo contrário, sempre me senti uma grande banana (já até citei o problema no post Medo do sucesso).

Mas, em 50 minutos, ela conseguiu me mostrar o que eu não vi em mais de 30 anos: passei por diversas situações que deixariam muita gente apavorada, mas eu nem percebi que precisava de coragem para realizá-las.

Mesmo eu sendo o ser mais pensante do mundo (a minhocasa tem trabalho 24 horas por dia), muitas vezes, faço as coisas no automático. Como eu sempre acho que devo fazer o que esperam que eu faça da melhor maneira possível e que nunca vou dar conta, acabo pondo os atos corajosos no mesmo saco que os atos malfeitos.

Essa falta de autovalorização não me deixa ver que, na verdade, o acontecido exigiu de mim uma postura corajosa. Sem nem me dar conta, acabo desdenhando vários lampejos de coragem. Depois dessa observação estou quase me sentindo a Mulher Maravilha.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O consumismo

Eu não sou assim a pessoa mais consumista do mundo. Eu fico bem seis meses sem comprar uma peça de roupa, por exemplo. Ainda mais quando estou disposta a economizar por algum motivo, como agora que estou sem emprego fixo. Claro, às vezes me dá uns cinco minutos e quero algo do momento para vestir.

Nesta semana, ao procurar um sapato para calçar, eu me dei conta de que não tenho nada que esteja na moda. O último par que comprei foi em março, na liquidação de verão, ou seja, ele não tem nada a ver com o que está sendo usado atualmente.

Justamente com esta constatação, eu percebi que vivemos em um mundo onde é impossível não comprar. Mesmo com a minha intenção de conter todos os gastos, eu não passo um dia sem gastar algum dinheiro. Na maioria das vezes é com comida para a casa ou com produtos para fazer meus bolos e doces encomendados. Mas sempre gasto.

No mesmo dia que eu procurei em vão um sapato da moda no meu armário, eu comecei a pensar nas pessoas que eu conheço e não consegui lembrar de ninguém que não tenha uma peça da moda outono-inverno. É tão comum que passa por "natural" (o argumento mais ridículo do mundo) comprar produtos supérfluos que são "essenciais" para a nossa vida.

Meu guarda-roupa está cheio. Mesmo eu tendo comprado poucas peças nos últimos dois anos, por conta dessa minha vida de frila, eu tenho bem mais do que eu preciso e, em comparação com muitas pessoas que eu conheço, não comprei quase nada.

Comecei a pensar que, mesmo não sendo tão consumista, eu acabo repetindo, sem querer, o discurso das marcas de que para ser feliz eu "preciso" de tal ou tal produto. Essa ideia de comprar a felicidade está enraizada em todos nós.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

É o fim do luto?

Depois de quase um ano, finalmente decidi limpar meu armário onde ficavam os textos da faculdade. Quilos e quilos de papel, apenas uns 70% deles lidos, pilhas de textos que eu nunca mais iria ver. Pronto: agora é tudo papel para reciclagem. Guardei lá uns textos teóricos que gosto muito, umas obras em xerox que ainda não li... Mas a maioria foi para o lixo.

É verdade que a motivação para a limpeza foi um pouco necessidade. Uma das minhas fichas de estágio não está na secretaria da Faculdade de Educação e eu precisava verificar se tinha uma cópia para dar entrada no diploma. Como eu imaginava, não tenho e terei de conversar com a professora para ela me dar uma nova.

Mas o trabalho foi muito útil. "Uma bagunça exterior é reflexo de uma bagunça interior", já dizia a minha primeira terapeuta, durante a minha segunda grande crise. E nada como por as coisas em ordem para acalmar as habitantes da minha minhocasa.

Comentei algumas vezes sobre meus períodos de luto pós final de ciclo. Este ano, contrariando as minhas expectativas, estou um pouco abalada com o fim do meu curso na USP, como já contei aqui.

Fiquei com a impressão que colocar todo aquele papel na lata do lixo me trouxe uma certa leveza. Como se a viúva pudesse começar a colocar uns acessórios coloridos sobre o vestido preto do luto.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mudança de perspectiva

Uma das vantagens (ou desvantagens, depende do ponto de vista, como tudo nesta vida) de não se trabalhar é que sobra tempo para pensar no que eu quero da vida. E é o que eu tenho feito. Pensado. Muito. Sobre como será meu futuro principalmente.

Eu também tenho gastado um bom tempo refletindo sobre as minhas metas de 2012. Uma já foi cumprida: era correr a meia maratona no Rio. Estou na vantagem, já que no ano passado só comecei a cumprir minhas metas em novembro. Faltam duas: ter alta na terapia e conseguir um emprego bacana.

E, como todo mundo, para ter alta da terapia eu preciso resolver os problemas do passado. Aqueles que começam na infância, quando sua família ajuda a moldar seu modo de ver o mundo.

Por mais que eu saiba há tempos que quem tem de mudar sou eu, eu andava brava com o mundo, irritada com o fato de que ele não percebia meu esforço para mudar e com raiva das pessoas que foram, a meu ver, injustas comigo durante toda a vida. Mas esta semana eu me dei conta que estava sendo mimada e birrenta. Não adianta nada eu saber que sou que tenho de mudar se eu ainda continuar pensando "OK, eu mudo, mas os errados são eles".

Se o mundo não vai mudar, o que nos resta é perdoá-lo por não ser do jeito que a gente gostaria. Até porque se as coisas não atingem nossas expectativas não quer dizer que foi de propósito. Muitas vezes as pessoas fazem o melhor que podem e mesmo assim não é suficiente para nós.

Engraçado como esse simples pensamento de perdoar o mundo mudou a minha perspectiva.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O desânimo

Alguns dias de desemprego são mais simples que os outros. Sempre acordo cheia de ideias. Às vezes, coloco uma ou duas em prática e já me sinto animada, com o dia ganho. Mas, de vez em quando, nenhuma delas me faz levantar do sofá ou sair do Facebook.

Pior: em dias como hoje, não encontro maneira de colocar nenhuma das ideias em prática. Não é falta de vontade apenas, é falta de recursos. Não sei por onde começar.

Há semanas venho pensando em como será a minha vida quando eu voltar de viagem, no fim de novembro, e tenho tentado trabalhar neste tema todo dia. "Afinal, o que me faria feliz?" é a pergunta que precisa ser respondida.

Ontem, depois de finalmente ir à USP buscar meu diploma, cheguei em casa e mandei um par de currículos. Hoje acordei querendo conseguir um frila. São horas de pesquisa no Google para tentar fazer uma sugestão de pauta que agrade os editores. Mas, no fundo da minhocasa, tem um pensamento negativo, que não quer dar espaço para a esperança. Eu prevejo meu e-mail chegando na redação com outros 900 e indo direto para a lixeira, depois de uma passadela de olho.

Talvez fosse a hora de eu ler a coleção Poliana. Ou uma porção dessas auto-ajudas que prometem soluções milagrosas em poucos passos. Ou talvez fosse a hora de parar de pensar e apenas estar aberta para todas as oportunidades que aparecerem. Mas lá vem a minhoquinha com a pergunta: "vai aparecer?".

domingo, 2 de setembro de 2012

Alergia aos elogios

Entre as características do meu autoboicote está a alergia a elogios. Até hoje eu não encontrei nenhum "anti-histamínico" que dê jeito nisso. Não posso dizer que não evoluí um pouco com um tempo. Agora, ao menos, eu consigo agradecer. Ainda meio desconfiada. Duvidando que eles sejam verdadeiros. Mas já sai um "muito obrigada" tímido de vez em quando.

Só que o elogio, que deveria ter um efeito positivo, muitas vezes, tem resultado contrário. Aquilo que eu até acreditava que fazia bem passa a ser muito mais dificultoso depois que alguém me diz que tem algum valor. Já falei um pouco sobre essa sensação aqui.

É como se, depois que alguém disse que aquilo é bom (mesmo que seja apenas um ato de gentileza), eu imediatamente perdesse o direito de fazer algo diferente do perfeito. Sei, isso não deve fazer muito sentido para pessoas normais. Afinal, um elogio é um elogio, certo?

Errado. É reconhecimento. Mesmo que pequeno, despretensioso, com boas intenções. Mas é reconhecimento. Infelizmente, eu ainda não aprendi a me dar esse direito.

E foi o que aconteceu com este blog. De repente, meus amigos que leram alguns dos meus textos aqui começaram a gostar do que eu escrevia e eu travei completamente. Abro de vez em quando o publicador e simplesmente não consigo ir pra frente. Parece que tudo o que eu fizer não vai ser digno do que já foi feito.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quem não ganha dinheiro tem algum valor?

Nessa fase sem emprego fixo, tenho pensado bastante no valor do trabalho e no preço que se dá a ele e cheguei à conclusão de que, além de tudo ter seu preço, quem não ganha dinheiro não tem valor. Uma visão pessimista, sei. Como se pode ver no post anterior, não ando na fase mais bem resolvida quanto à minha vida profissional.

O que tenho sentido é que, sem vida profissional definida, a gente é um pouco invisível. Nas conversas do dia a dia, o trabalho é sempre o assunto dominante. E não é que eu não trabalhe. Eu faço meus frilas como jornalista e faço meus quitutes quando acho alguém disposto a pagar por eles, mas eu não tenho holerite, nem cartão de visitas, endereço comercial, e-mail corporativo... Essas coisas que parecem ter mais valor do que a felicidade no mundo em que vivemos.

Claro, eu só posso me dar ao luxo de não ter emprego fixo porque tenho quem segure as pontas para mim em casa. Sei disso e não sou hipócrita a ponto de fazer coro com essa gente que fala que dinheiro não traz felicidade. Eu sei que, para ser feliz, é preciso um mínimo de dinheiro. Com fome, doente e sem um pouquinho de conforto ninguém tem alegria.

Só que eu também acredito que a gente é mais que a nossa profissão. Eu sou eu antes de ser jornalista ou cozinheira ou qualquer outra coisa. Sim, minha profissão me define em parte, mas não é ela que me dá o meu valor. Ou ao menos não deveria ser.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Apesar do sol, 13 de agosto

Me sinto em 13 de agosto. Em um daqueles dias carregados de maus agouros, como diz a "sabedoria" popular. Nem o lindo sol que brilha lá fora me dá vontade de tirar o pijama hoje. Uma noite de insônia e de sonhos ruins me deixou exausta.

Cá estou eu, em mais uma das minhas fases de incertezas que me congelam. O mais curioso é que eu nunca pensei que essa minha costumeira depressão por fim de fases viria depois de me formar na USP. Afinal, o curso era só uma diversão na minha vida.

Das três grandes crises anteriores da minha vida, duas foram nos finais de ciclos: quando terminei os Ensinos Fundamental e Médio. Terminar algo sempre me deixou em pânico. Talvez por isso eu tenha muito mais projetos começados do que acabados.

A verdade é que, desde o fim do ano passado, quando me formei, estou vivendo um certo luto por não saber bem o que farei daqui para a frente. Até aquele momento, eu podia não me comprometer com nada que me atrapalhasse as aulas. Só que agora não tenho mais essa desculpa. Quase um ao depois, a impressão que eu tenho é que minha vida continua no rascunho, sem nenhuma novidade, sem sair do marasmo.

A desculpa do momento é a viagem que farei em novembro. À medida que vai chegando mais perto, meu desespero vai aumentando porque é certo que quando eu voltar terei de dar um jeito na minha vida, só que eu não sei qual é esse jeito.

Os planos que tenho, ao mesmo tempo que me animam, ecoam na minhocasa a velha voz: "você vai estragar tudo. Você sempre estraga". E é essa a voz que não me deixa acreditar que só não realiza nada quem não tenta.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Contrariando as leis da física

Ao menos nos relacionamentos interpessoais essa história de que os opostos se atraem me parece uma balela. Conversando com duas amigas em momentos diferentes ontem, percebi que tenho perto de mim pessoas que pensam como eu.

Não que eu concorde o tempo todo com os meus amigos (graças a Deus! Imagina uma geminiana nunca ter com quem argumentar?), mas a gente tem em comum um projeto de fazer desse um mundo melhor pelas mesmas vias.

Por exemplo, eu tenho grande dificuldade em conviver com gente folgada, que toma o espaço alheio sem cerimônia ou que incomoda lugares públicos com muito barulho ou bagunça. E assim são meus amigos.

Eu acho um absurdo a maneira como as empresas tratam os funcionários, exigindo uma postura que ela mesma não adota com eles, manterem um discurso de atitude vencedora e tratar seus colaboradores como lixo. Um monte de gente que eu conheço concorda comigo.

Acho que se a gente for educado com o mundo e com as pessoas ao redor, mesmo sabendo que muitas vezes não vai receber o mesmo respeito em troca, faremos deste um lugar melhor para se viver. Posso enumerar amigas que repetem o mesmo discurso.

É por isso que para os relacionamentos prefiro a definição da minha terapeuta: somos como sapatos. O pé direito é oposto ao esquerdo, sim, mas não dá para andar com rasteirinha em um pé e uma bota longa de salto no outro. E ter muita semelhança também não é positivo. Ou alguém consegue usar dois pés direitos de algum calçado, mesmo que seja um par de Havaianas? O ideal é que sejam semelhantes e opostos ao mesmo tempo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Medo do sucesso

Muito mais que o fracasso, é o sucesso que me apavora. Ao fracasso já estou acostumada. Desde sempre lido com ele. É minha zona de conforto. Sem contar que fazer papel de vítima sempre é mais fácil. As pessoas se compadecem dos sofredores.

Veja a novela, por exemplo. Espectadores de Avenida Brasil já começam a ter dó da vilã Carminha, que depois de cem capítulos de maldades está provando do próprio veneno há uma semana. É suficiente para terem raiva de Rita, que desde de sempre é a verdadeira vilã da novela (quem acompanha o trabalho de João Emanuel Carneiro sabia desde o começo que o jogo ia virar).

Mas o sucesso, além de ser novidade, é mais arriscado. Quando se é perdedor, uma vitória ou outra é apenas um golpe de sorte e facilmente se volta ao limbo. Mas quando se é vencedor, com todos os holofotes voltados para si, uma derrota é suficiente para minar o trabalho todo. É como se todos, inclusive você mesmo, estivesse esperando um deslize para dizer: "viu? Eu disse que era uma fraude".

terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma só adversária

Este ano participei de uma prova que tinha como slogan "Milhares de inscritos, um só adversário". A Mizuno 10 Miles, que aconteceu em abril, tinha um percurso de 16 km (como o próprio no me já diz) e foi usada por mim como treino para a Meia Maratona, que fiz no começo deste mês. Durante a corrida, o slogan se mostrou muito mais que verdadeiro. Eu fui o único obstáculo que tive de enfrentar na prova.

Minha minhocasa reagiu de maneira errada ao ouvir pelo iPod as mesmas músicas que tocaram na minha primeira prova de 16 km (cujo perrengue está descrito no post Acontecimentos inspiradores logo abaixo deste). Só que quando eu vi que minha mente estava no modo auto-boicote, eu reprogramei meus pensamentos. Troquei as músicas para a seleção nova que tinha feito uns dias antes e relembrei que, desta vez, diferentemente da outra, eu tinha feito tudo certinho no dia anterior, então não havia motivo algum para passar mal.

Na vida profissional, vira e mexe, eu também deixo o modo auto-boicote ligado. Sempre que me envolvo em algum projeto novo bacana, eu sinto que vou fazer algo para estragar tudo. Ouço até uma voz dizendo: você sempre estraga tudo. Só que a vantagem de fazer terapia desde os 16 anos é que as armadilhas do inconsciente passam a ser mais facilmente identificadas. E fica bem mais óbvio de perceber que eu estou sendo minha única adversária.

Então, como fiz na tal prova de abril, eu troco a seleção musical, relembro porque eu sou capaz de fazer tal trabalho e dou o meu melhor para ter um bom resultado. Não vou mentir. Até que eu receba um elogio _ou que passe alguns dias sem ouvir reclamação, ao menos_, eu ainda acho que ele foi mal feito, mas ao menos agora eu não desisto antes de terminar com medo de ter um resultado ruim.

Tenho minhas dúvidas se um dia vou conseguir não ter essa insegurança, mas dizem que quando a gente conhece o inimigo fica mais fácil vencê-lo. Espero.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Acontecimentos inspiradores

Não é novidade para ninguém que me conhece que eu sofro de baixa auto-estima. Não importa o que preciso fazer, eu sempre acho, pelo menos por alguns minutos, que eu não vou dar conta. É assim com tudo e, quando se trata de trabalho, esse medo ganha proporções bem maiores.

Para tentar vencer o medo do fracasso, por anos, eu mantenho como exemplo na cabeça uma situação extrema que prova que no fim tudo acaba bem. Lá no fim do século passado, uma noite, quando eu me preparava para deixar a redação, o editor me chamou para pedir um favor. As repórteres que cobriam o caso Leandro estavam exaustas porque vinham se revezando na porta do hospital há mais de uma semana. Ele queria que eu ficasse lá, só até o fechamento, para cobrir caso houvesse alguma novidade.

Era a primeira vez que eu saía para uma reportagem quente. Até então só tinha feito entrevistas para matérias frias, daquelas que normalmente preenchem as páginas dos cadernos de variedades. Lá fui eu, acompanhada de um fotógrafo bem mais experiente que eu (que depois apelidei de companheiro de roubadas porque sempre que a gente saía juntos a pauta virava algum monstro).

Eu deveria ficar no hospital até umas 22h, mais ou menos. Mas lá pelas 21h, começou uma movimentação esquisita. Para mim, aquilo tudo era esquisito já que eu nunca tinha feito cobertura em porta de hospital, mas algo me dizia que tinha alguma coisa acontecendo. Lembro do meu desespero ao ligar para o editor e tentar convencê-lo de que aquilo não era o normal, já que ele sabia que eu não tinha ideia de como era o normal da coisa. Algumas horas depois, veio a notícia: o cantor havia morrido.

Eu que nunca tinha feito nenhuma matéria de mais de 10 cm, já que eu era redatora das seções fixas do caderno, me vi tendo que passar informações para a manchete do jornal. Como era muito tarde, a informação saiu apenas em uma tarja preta na capa.

Passei a madrugada cobrindo o ocorrido, fui direto para o velório na Assembleia Legislativa e, no meio da manhã, um outro repórter foi me render. Voltei para a redação, escrevi o que tinha de escrever e saí de lá às 13h, 24 horas depois de ter começado a trabalhar.

E sobrevivi. Pode não ter sido a melhor cobertura, mas não ficou devendo em nada para as outras. E desde então, quando bate o pânico de não dar conta, eu penso que nada pode ser pior que esta situação.

Mas o curioso é que, desde o ano passado, essa lembrança ganhou a companhia de outra situação extrema: correr 10 milhas (o equivalente a 16 km) com dor de bariga. Eu inventei de fazer a minha estreia em uma distância maior que 10 km um dia depois de ter ido a uma festa de aniversário.

Lá pelo quilômetro 4, minha barriga começou a dar sinais de que precisava de um banheiro. Detalhe: Na pista expressa da marginal Pinheiros não há banheiros. Corri 4 km com a esperança de que no extremo do percurso teriam banheiros químicos. Qual não foi meu desespero ao descobrir que só havia uma ambulância. Ou seja, numa corrida é melhor ter um infarto do que um piriri.

Comecei a andar, a chorar, a rezar... Não podia acreditar que chegaria em casa e diria ao marido: não terminei a corrida porque não tinha banheiro. No meio das minhas preces, lá pelo km 12, avistei um posto de gasolina e um agente da CET. Não tive dúvida: "moço, por favor, me ajuda a atravessar para eu ir ao banheiro ou não vou terminar a prova". O marronzinho parou a via local da marginal e eu atravessei em direção à privada mais próxima.

Na volta, corri feliz os 4 km que faltavam e terminei a prova em menos de duas horas. O perrengue me ensinou ao menos duas coisas. Primeiro que brigadeiro é proibido na véspera de provas longas e também que eu posso muito mais do que eu acho que posso. Nunca acreditei que um dia correria 16 km, quanto mais sem condição física para isso.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Idade da falta de paciência

Não é só a barriga que cresce depois dos 30. A impaciência também. Não aquela impaciência ansiosa dos primeiros anos após a adolescência, que faz a gente querer ser um profissional bem sucedido em cinco anos de empresa. Não, essa fica lá nos 25, depois da maldita crise que faz você perceber que é um fracassado. Mas a da idade adulta é uma impaciência intolerante.

Atualmente, sinto como se as chatices não tivessem mais espaço para se instalar na minha vida. É quase um retorno de Saturno (hum, acho que era o caso de consultar um astrólogo para ver por onde esse maldito planeta anda). Estou sem paciência nenhuma para o amadorismo e para o discurso do marketing, que morre depois do almoço com os jornalistas e nunca é posto em prática nas empresas.

Talvez eu seja ingênua a ponto de achar que as pessoas deveriam ser mais sinceras. Seria bom que os empregadores contassem a realidade sobre as empresas e que, ao contratar alguém, convidasse o profissional a ajudar a empresa evoluir. "Temos estes problemas e você pode nos ajudar a resolvê-los" não deixaria de ser um bom discurso de marketing e seria muito melhor do que fingir uma situação ideal que não existe.

Só que o que acaba acontecendo muitas vezes é que, quando o profissional chega para assumir seu posto, depois da entrevista fantasiosa, ele encontra algo bem diferente do esperado e, muito frequentemente, também se depara com um monte de gente tradicionalista, nada interessada em transformar a realidade atual naquela do discurso da empresa. Pronto, se esse proletário, como eu, tem mais de 30 anos, vem a impaciência. Temos um profissional decepcionado e, consequentemente, desmotivado.

E quem alimenta essa irritação é justamente a bagagem de chatices suportadas no passado. Ok, tudo bem, a gente tem de aguentar um problema aqui e outro lá, um chefe egocêntrico de vez em quando, um pouco de falta de estrutura, aceitar alguém que grite o tempo todo porque tem a síndrome do pequeno poder um dia ou outro... Mas vai ser sempre assim?

O problema desta impaciência pós-30 é que ela vem com um sentimento de culpa. Afinal, a vida é feita de adversidades e eu não tenho mais idade para ser mimada assim. O Grilo Falante na minhocasa diz: "engole o choro e trabalha". Mas, quer saber?, minha vontade é chegar na próxima entrevista de emprego e dizer: "o que a sua empresa tem para oferecer para minha carreira?".

terça-feira, 3 de julho de 2012

A vida feita de desencontros

Ultimamente, como não poderia deixar de ser, tenho pensado muito na minha vida profissional. O desemprego faz isso com a gente. É tempo de pesar as escolhas feitas no passado, sonhar com um futuro mais promissor e esperar ter boas propostas no presente.

Reparei, há alguns dias, que existe uma certa semelhança entre a vida profissional adulta e a vida amorosa adolescente. O mundo é feito de desencontros: quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero.

Lá nos anos 90, eram assim os meus (não)romances. Os caras por quem eu era apaixonada não queriam nem saber de mim. Alguns (como boa geminiana eu tinha uma nova paixão por mês), inclusive, nem sabiam meu nome. Os poucos (se eu sou estranha aos 34 anos, imaginem com 16... Com "poucos" eu quero dizer muito poucos, pouquíssimos) que se interessavam por mim, não tinham a minha admiração.

E assim eu sobrevivi àqueles anos sombrios. O que me dá esperança. Nem foi tanto tempo até eu me apaixonar por alguém apaixonado por mim. Quer dizer, agora eu digo isso. Na época, parecia bem uma eternidade.

O ciclo se repete agora. Só que na vida adulta, ele acontece no campo profissional. Estou aqui esperando que aquela empresa bacana (ou ao menos uma daquelas que eu tenho na minha lista de "lugares possíveis para vender a força de trabalho") se apaixone por mim. Ou que eu me apaixone por uma dessas poucas que me querem. E olha que as empresas que me querem são em número muito menor que os meninos da adolescência.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ideias fragmentadas

Quando eu criei este blog, minha intenção era colocar as ideias um pouco no lugar. Sou assim desde pequena. É muito mais fácil para mim me expressar na escrita. Esse blog nasceu depois que eu passei um dia todo chorando, quase sem levantar da cama, alimentando pensamentos nada saudáveis. Percebi que era a hora de voltar a escrever.

É curioso o papel catártico que a escrita tem para mim. Talvez seja porque eu pense muito rápido e, quando escrevo, os pensamentos podem existir por mais tempo e assim eu consigo chegar mais perto do entendimento. Mas eu tenho fases em que os pensamentos estão tão confusos na minhocasa que eles simplesmente não querem se organizar em texto.

Hoje é um desses dias. Várias dúvidas passeando na cabeça, muitas frustrações, mais um monte de sonhos e um punhado de planos... Mas nada consegue ir para a sua pastinha colorida etiquetada. Todas as minhocas ali, andando de um lado para o outro, se enroscando, trombando umas nas outras.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Como em um conto de fadas

Eu comecei a correr há pouco mais de um ano e meio por influência de uma grande amiga. Em pouco tempo, assim como ela, fiquei viciada na corrida. Correr é muito divertido. Sou obrigada a concordar com essa amiga quando ela fala que quem nunca cruzou uma linha de chegada não conhece a verdadeira felicidade.

Mas não é apenas diversão e endorfina que trazem o bem-estar após alguns quilômetros percorridos. A corrida é uma das poucas atividades em que o esforço é, sim, recompensado. Digo poucas porque não quero parecer a dona da verdade, mas eu confesso que não conheço nenhuma outra com uma relação tão direta entre esforço e recompensa. É simples assim: treinou bem, correu bem; treinou mal, correu mal.

Estou inscrita no percurso de 21 km (meia maratona) na Maratona do Rio, que acontece no dia 8 de julho, e por isso tenho mantido uma certa frequência nos treinos. Resultado: domingo passado, eu senti que poderia correr muito mais depois de ter completado os 10 km na Maratona de São Paulo. Treinei bem, corri bem.

Na minha primeira prova de 10 milhas (16 km), eu treinei direitinho. No mês que antecedeu a corrida, eram três treinos por semana, mesmo quando estava viajando. Mas, como não comi bem nas horas anteriores, durante a prova eu tive um desarranjo intestinal (nome bonito para o bom e velho piriri).

Foi horrível, sofri por longos 8 km até achar um banheiro em um posto de gasolina no meio da marginal Pinheiros, mas cheguei ao fim da prova. Apesar de tudo, terminei dentro do tempo que eu esperava.

E esta é a outra vantagem da corrida: aprender a superar seus próprios limites. Pessoas como eu, com auto-estima prejudicada, tendem a achar que não sabem fazer nada (e quem me conhece sabe que eu sou rainha em acreditar na minha própria burrice). Mas quando estou em uma prova, não admito largar o percurso pela metade. Corro, ando, choro, rezo, se for o caso, mas chego ao final e cruzo a linha de chegada com as mãozinhas para cima, feliz.

Mais que um exercício para meu corpo, a corrida é um ótimo exercício para a minha cabeça. Ao menos quando eu calço meus tênis, eu sei que todo aquele esforço será recompensado com uma medalha e uma sensação de superação. No final, serei feliz para sempre. Ao menos na corrida a vida é, sim, justa como nos contos de fadas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O marketing pessoal

Se tem algo em que eu sou ruim é no marketing pessoal. Ruim demais. Eu mesma não acredito no que eu posso fazer e aí surge um dos maiores problemas na minha busca pelo emprego.

Em outras palavras: se eu já fosse funcionária da empresa e aquelas coisas todas que o entrevistador me pergunta se eu daria conta de fazer caíssem sobre a minha mesa para serem resolvidas até o fim do dia, muito provavelmente, elas seriam feitas sem problemas. Ou com problemas, mas seriam feitas. Só que quando alguém me pergunta "você sabe fazer isso?" eu sempre hesito em responder. Nunca acho que a gente saiba realmente se sabe fazer algo. Tudo é uma tentativa. Pode ser que algo que você faz diariamente, um dia, numa tentativa, não dê certo.

Por exemplo, durante um dos frilas que fiz este ano, precisamos confirmar uma informação no meio da madrugada. Eram três jornalistas na redação. Os três tentando. Eu tive a sorte de ter a ligação atendida e confirmei o fato, enquanto os outros dois colegas, tentando da mesma maneira que eu, não tiveram a mesma sorte. Podia ter sido eu a azarada. Aquele dia, por obra do destino não fui, mas em muitas outras ocasiões fui eu que dei azar.

Como é que eu vou dizer ao entrevistado: sim, eu consigo confirmar informações de mortes no meio da madrugada? Um dia eu consegui. No outro não. Não quer dizer que, por isso, eu não seja capaz de ter o cargo que tenha essa como uma das funções. Não é uma questão de não saber fazer. É que, às vezes _muitas vezes_, mesmo sabendo um jeito de fazer não é suficiente.

Sem contar que sempre achei de uma arrogância sem fim aquela gente que diz que sabe fazer tudo. Gente que se diz inteligente me dá sono.

Foi assim que cheguei à conclusão que meu problema não é não saber, mas é ter a consciência de que eu não sei. Porque se eu fosse ignorante, mas me achasse sabidona, eu seria boa em marketing pessoal e, provavelmente, a uma hora dessas já teria um bom emprego.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cada história tem seus lados

No feriado da última quinta-feira, estava indo para a academia quando uma senhora embarcou no mesmo ônibus, que estava praticamente vazio. Comigo deviam ser cinco passageiros.

Ao encostar na catraca, a mulher que levava um buquê de lírios nas mãos virou para o cobrador que conversava com o motorista na frente do coletivo com um certo tom de arrogância e disse: "Vamos trabalhar um pouco?". O homem não gostou nada da ironia e respondeu com a voz um pouco alterada. "Eu estou trabalhando desde 4h, minha senhora. Tenha um pouco de educação com as pessoas", reclamou.

A senhora, por sua vez, achou-se no direito de jogar na cara do cobrador que era aposentada. "Já trabalhei muito na vida, agora posso passear". O bate-boca continuou por alguns metros, até ela descer no mesmo ponto que eu.

Cada um foi para o seu lado e eu fiquei pensando na cena por algum tempo. Com certeza, os ouvintes da história na versão do cobrador darão razão a ele. Onde já se viu? A mulher entra no ônibus, no meio do feriado, e vem com grosseria para cima de quem está trabalhando. Só porque é velha acha que pode maltratar os mais novos.

Por outro lado, os parentes da velhinha também devem estar certos de que o cobrador foi muito do mal-educado: em vez de estar em seu posto, fica lá, de papo com o motorista, fora do lugar dele, ainda atrapalhando a atenção do condutor. A senhora tem de esperar em pé ao lado da catraca até que ele tenha a boa vontade de fazer o serviço dele. Serviço pelo qual é pago. Absurdo.

Eu, uma espectadora quase imparcial, tive a impressão de que o conflito -assim como muitos outros que vemos todos os dias- teria sido evitado se cada um dos envolvidos tivesse se colocado no lugar do outro. Afinal, os dois tinham razão. O cobrador tinha, sim, de estar no posto dele. Mas a mulher também devia ter usado um pouco mais de educação. No entanto, um quis ter mais razão que o outro, quis ganhar no grito aquilo que a argumentação mostrou estar empatado.

Um espaço necessário

Estava enjoada de meu blog anterior e decidi que fase nova exige espaço de escrita novo. Foi assim que nasceu o Disponível pro Mercado. Nesta fase de desemprego, colocar as ideias que habitam a minhocasa em textos é mais que necessário, já que o escrever sempre teve a função de etiquetar minhocas na minha vida.