sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O consumismo

Eu não sou assim a pessoa mais consumista do mundo. Eu fico bem seis meses sem comprar uma peça de roupa, por exemplo. Ainda mais quando estou disposta a economizar por algum motivo, como agora que estou sem emprego fixo. Claro, às vezes me dá uns cinco minutos e quero algo do momento para vestir.

Nesta semana, ao procurar um sapato para calçar, eu me dei conta de que não tenho nada que esteja na moda. O último par que comprei foi em março, na liquidação de verão, ou seja, ele não tem nada a ver com o que está sendo usado atualmente.

Justamente com esta constatação, eu percebi que vivemos em um mundo onde é impossível não comprar. Mesmo com a minha intenção de conter todos os gastos, eu não passo um dia sem gastar algum dinheiro. Na maioria das vezes é com comida para a casa ou com produtos para fazer meus bolos e doces encomendados. Mas sempre gasto.

No mesmo dia que eu procurei em vão um sapato da moda no meu armário, eu comecei a pensar nas pessoas que eu conheço e não consegui lembrar de ninguém que não tenha uma peça da moda outono-inverno. É tão comum que passa por "natural" (o argumento mais ridículo do mundo) comprar produtos supérfluos que são "essenciais" para a nossa vida.

Meu guarda-roupa está cheio. Mesmo eu tendo comprado poucas peças nos últimos dois anos, por conta dessa minha vida de frila, eu tenho bem mais do que eu preciso e, em comparação com muitas pessoas que eu conheço, não comprei quase nada.

Comecei a pensar que, mesmo não sendo tão consumista, eu acabo repetindo, sem querer, o discurso das marcas de que para ser feliz eu "preciso" de tal ou tal produto. Essa ideia de comprar a felicidade está enraizada em todos nós.

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