Depois de quase um ano, finalmente decidi limpar meu armário onde ficavam os textos da faculdade. Quilos e quilos de papel, apenas uns 70% deles lidos, pilhas de textos que eu nunca mais iria ver. Pronto: agora é tudo papel para reciclagem. Guardei lá uns textos teóricos que gosto muito, umas obras em xerox que ainda não li... Mas a maioria foi para o lixo.
É verdade que a motivação para a limpeza foi um pouco necessidade. Uma das minhas fichas de estágio não está na secretaria da Faculdade de Educação e eu precisava verificar se tinha uma cópia para dar entrada no diploma. Como eu imaginava, não tenho e terei de conversar com a professora para ela me dar uma nova.
Mas o trabalho foi muito útil. "Uma bagunça exterior é reflexo de uma bagunça interior", já dizia a minha primeira terapeuta, durante a minha segunda grande crise. E nada como por as coisas em ordem para acalmar as habitantes da minha minhocasa.
Comentei algumas vezes sobre meus períodos de luto pós final de ciclo. Este ano, contrariando as minhas expectativas, estou um pouco abalada com o fim do meu curso na USP, como já contei aqui.
Fiquei com a impressão que colocar todo aquele papel na lata do lixo me trouxe uma certa leveza. Como se a viúva pudesse começar a colocar uns acessórios coloridos sobre o vestido preto do luto.
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