domingo, 15 de dezembro de 2013

A lista

Chega dezembro e eu sempre tenho vontade de fazer uma lista de metas para o ano seguinte. Acho importante dividir a vida em pedaços. Anos são bons períodos de tempo. Dá para fazer muita besteira e consertar tudo em 12 meses. Mas também dá para carregar todos os problemas para o ano seguinte e aguentar as consequências...

Já tenho alguns planos para 2014. Uma mudanças na vida pessoal, melhorar na vida profissional e, como nos últimos tempos, minha lista também ganhou a área da corrida, para o ano que vem, minha meta esportiva é correr 10 km em até 1 hora. Meta agressiva para quem encerrou o ano fazendo metade de uma meia maratona (que tem pouco mais de 21 km) em 1h13'.

Dezembro também é tempo de fazer balanço. E no geral, apesar de muita gente ao meu redor reclamar de 2013, para mim foi um ano bom. Consegui me adaptar ao emprego novo (embora não tenha certeza se o emprego novo se adaptou a mim e sempre sinta que vá ser demitida a qualquer instante), mudei para a casa dos meus sonhos com o marido dos meus sonhos, estou adotando uma filhotinha de gata pretinha... Nada a reclamar.

Se 2012 foi um ano de aprendizado, 2013 foi um ano de amadurecimento. Acho que a crise dos 35 me ensinou a apertar o "foda-se". Difícil tarefa para mim. Ainda sou megadramática em quase tudo, mas acho que já melhorei bastante.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Segunda é dia de autossabotagem

O despertador tocou às 5h30. Havia uma lista de planos: fazer mais uma tarefa atrasada do inglês, chegar cedo ao trabalho para dar conta de tudo o que precisa ser feito e, quem sabe até, dar uma passadinha na academia. Claro, no mundo dos planos tudo sempre é possível.

No entanto, o que aconteceu foi que às 5h55 o celular tocou mais uma vez e eu só fui acordar mesmo às 6h40. Depois de mais uma enroladinha, levantei quase 7h. Tudo bem, ainda podia chegar cedo ao trabalho, que era a meta mais importante. Mas o café levou mais de meia hora e só consegui mesmo sair de casa mais de 8h.

A autossabotagem é minha especialidade. Ainda mais às segundas-feiras. Dia mundial do início. Resultado: cheguei no trabalho às 9h10, com a ansiedade no grau 300%. Tento me salvar com quatro gotas de Rivotril, mas ainda não estou como eu gostaria.

Percebo que muito do meu problema é isso: não atender minhas próprias expectativas. Quando alguém vem me cobrar já estou me chicoteando 70 vezes mais por aquilo. Talvez nas metas de 2014 eu devesse incluir: aprender a dever.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Impotência

Faz uns meses que me sinto sem forças. Claro, parte do sentimento de impotência vem da minha autocobrança. Sou exigente demais comigo mesma. Mas uma porção vem do cansaço das mudanças dos últimos tempos. E agora, para fechar com chave de ouro, passarei por uma mudança física: trocarei de endereço.

Já mencionei aqui um milhão de vezes que eu adoro mudanças, mas sempre tem o estresse que envolve o processo. Desde 2011, quando deixei meu trabalho no jornal, eu já passei por muita coisa diferente. E, agora, o sentimento de impotência é enorme, já que a maioria das coisas que envolve a mudança está atrelada a fornecedores. Infelizmente, apesar do crescimento imenso, o setor de construção civil _e os serviços envolvidos com ele_ parece que ainda não chegou ao profissionalismo.

Achar fornecedores pela internet é complicado. Quando muito, tem o telefone. Os endereços estão desatualizados, e-mail e site são artigos de luxo... E se o serviço que você precisa é específico então, esqueça. Não vai achar.

Paralelo a isso, ainda estou vivendo a sensação de impotência no trabalho. Parece que por mais que eu tente, não vejo bons resultados. Tento mudar de atitude, mas os hábitos (meus e dos outros envolvidos) parecem ter uma força sobrenatural. Tudo se complica e arrasta e, por mais que eu queira deixar essa rabugenta para trás, sempre estou me lamuriando.

Nesta semana corrida, tudo o que eu queria era conseguir produzir eficientemente. Oferecer mais resultado com menos recurso, como o mundo corporativo adora apregoar que é o ideal. No entanto, me sinto uma representante do esteriótipo da funcionária pública, com raciocínio lento, sem capacidade de execução, com dificuldade de por em prática as ideias que facilitariam a minha vida.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As infâncias alheias

Não entendo este saudosismo das pessoas em relação às suas infâncias. Há mais de uma semana, uma porção de gente tem trocado suas fotos do Facebook por imagens em suas versões mínis, quase sempre acompanhadas de comentários do tipo era feliz e não sabia. Eu nem fotos da infância tenho comigo. E também não tenho toda esta saudade daquele tempo.

Talvez porque, naquela época, eu não pensasse menos que agora, mas tinha bem menos recurso para lidar com todo este caos que reina na minhocasa. Todo esse sentimento de não pertenço lá era tão mais forte e violento. Tão mais visível para mim. Eu ainda não tinha o tal orgulho de ser não gostável, mas era tão ou mais não gostável que agora.

Eu não conseguia entender por que eu não podia ser tão expansiva quanto os meninos, por que eu não tinha o direito de ser brincalhona, de ser quem eu gostava de ser. Exigiam de mim um comportamento que não era meu. E levou anos para eu entender que nadar contra a corrente tem seu preço.

Postar hoje uma fotinho daquele tempo, ao menos para mim, seria um retrocesso. Posso estar sendo despeitada, mas duvido que toda esta galera que se diz resultado de uma criança feliz também não está "feicebucando" a realidade.

sábado, 28 de setembro de 2013

"Você é muito brilhante para se afogar assim"

Os 35 chegaram e com eles a minha usual crise da década (fazendo um balanço, acabo de perceber que minha outra depressão foi aos 15 anos. Vou lembrar de perguntar à minha mãe se tive crise aos 5 anos também). Mas se tem algo positivo de se passar nos 30 anos é a chegada da maturidade. A gente aprende a deixar de nhenhenhém e corre atrás da solução (OK, nem todo mundo é assim. Conheço um punhado de gente que adora reclamar da situação, mas não muda uma vírgula para sair dela).

Há algumas semanas, eu fui à ginecologista e ela, percebendo meu grau de ansiedade, começou a investigar como eu estava. Em três perguntas, ela me levou às lágrimas. Justamente porque contando para ela que me conformei com a situação da minha profissão, eu me dei conta de que estava mentindo para mim mesma. Eu quero mais. Eu quero a paixão do maestro João Carlos Martins. E ela me disse uma frase que vem martelando na minha cabeça desde então: "Você é muito brilhante para se afogar assim".

Pode parecer bobagem, mas aquela citação típica de livros de autoajuda me fez perceber que eu realmente sou dona do meu destino. O que acontece na minha vida é resultado direto das minhas atitudes. Eu sou a responsável pela maneira como o outro me trata. Eu devo me respeitar para que o desrespeito alheio não me atinja.

A minha situação profissional é o ponto nefrálgico da atual crise. Estava me sentindo incompetente, deslocada, inútil até. Mas como não se muda a situação agindo da mesma maneira, eu resolvi que era a hora de fazer diferente: virei a maníaca das planilhas, coloquei o trabalho em dia a custas de trabalho escravo horas-extras pro bono, passei a me esforçar para entender que algumas críticas viriam independente do resultado alcançado... Isso mudou a minha vida. Tirar o foco de mim, entender que isso não estava no plano pessoal me libertou.

Não vou mentir. A falta de reconhecimento ainda me deixa muito decepcionada, mas aprendi a focar nos meu objetivo: fazer o meu melhor. Faço por mim, para valorizar a profissional que eu quero ser, não para atender a demanda impossível. Não sou perfeita, claro, mas me esforço para entregar o que é melhor dentro das minhas condições.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O orgulho de ser não gostável

Na teoria, eu sei: impossível agradar a todo mundo. Mas lá no fundo eu sou um ser humano normal que quer ser unanimidade, admirada por todos, gostável para todo mundo que souber da minha existência. Só que se tem uma coisa que anos de terapia me ensinaram foi que ou eu mudo a contento de quem eu quero agradar ou eu me conformo que posso ser não gostável.

Simples assim. Por muito tempo eu insisti na ideia de que eu sendo do meu jeito, as pessoas tinham de gostar de mim como eu era. Mentira. Eu gosto do jeito que eu sou, mas vai ter lá um montão de gente que me acha imbecil. Paciência.

Às vezes, eu acho que se eu entrasse na onda de fingir que gosto das mesmas coisas que a maioria, eu estaria mais perto do ser gostável. Com alguns, posso dizer que sou fã de Woody Allen. Com outros, falar de poesia francesa ou comentar o CQC da semana... Mas tenho sono. Posar de entendida dá preguiça. Não vou falar que achei o filme genial se dormi no cinema. Não é que eu ache bonita a minha ignorância, eu apenas tenho noção da existência dela. Se eu não sei, não sei.

OK, o título deste post é mentiroso. Eu não tenho orgulho de ser não gostável, eu apenas aprendi que essa é uma realidade inevitável. No dia a dia, não é raro eu me chatear quando percebo que as pessoas não gostam de mim, mas se eu também me dou o direito de não gostar de algumas pessoas não posso impedi-las.

domingo, 18 de agosto de 2013

Eu e meu blog abandonado

Depois do último post, eu precisei de um tempo para colocar as ideias em dia. Como já expliquei algumas vezes, apesar de a escrita ter uma função catártica na minha vida, quando estou muito ansiosa nem ela me salva dos meus pensamentos. E o resultado é este aqui: um blog abandonado.

Mas vou ser justa. Não é só a minhocasa a mil que me faz deixar este espaço de lado. A falta de definição dele também me incomoda. A começar por este nome que está megadesatualizado. Depois, eu sempre acho que, como meus dramas são cíclicos, o blog fica repetitivo (é só ver os links no primeiro parágrafo deste post). Daí sempre penso em criar um novo blog, com alguma temática fixa, para aliviar esta angústia. Já cogitei criar um espaço com conteúdo fictício, falar só sobre corrida, focar nos problemas do trabalho ou do mercado de comunicação... No fim, tudo fica na pasta de projetos e nada se concretiza.

E como não adianta fugir da minha essência, hoje eu acordei precisando escrever e cá estou. É uma questão de sobrevivência para mim e, pensando nisso, eu me lembrei de um personagem da novela "A Vida da Gente", de Lícia Manzo. Novela com texto primoroso, exibida no horário das 18h, em 2012. Lourenço, interpretado por Leonardo Medeiros, passa a trama toda como um fracassado, um escritor que não vingou. Alguém que se sentia no rascunho, como eu muitas vezes. Lá em um determinado momento, ele para de escrever e vai tocar a vida como professor para garantir o pão de todo dia. Só que, no último capítulo, ele comenta que vai voltar porque senão vai sufocar.

É assim a escrita na minha vida. Se não puser em palavras o que está aqui dentro sufoco. Pensar o tempo todo é muito exaustivo e escrever é a única maneira que acho de aliviar este fluxo de consciência. Tomara que eu consiga manter posts mais frequentes daqui para a frente. Ideias não faltam.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O corpo cobra seu preço

Todo mundo sabe. O corpo humano é muito eficiente. Bem treinado ele faz coisas inimagináveis. Mas, claro, também cobra seu preço se você decidir fazer mais do que ele pode sem prepará-lo para isso.

Estou há dias sem conseguir respirar direito e com a memória péssima. O estresse está me derrubando. Não é de hoje que venho abusando da minha cabeça e agora parece que ela está querendo me forçar a parar a qualquer custo.

Só que em vez de parar um pouco, eu me cobro mais e aí a sensação de fracasso é inevitável.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A crise dos 35

Eu não tive crise dos 30. Tive, sim, uma crise quando completei 25 anos. Mas aos 30 eu só queria ver o retorno de Saturno acabar e me devolver para o meu eixo. Nada demais. Só que parece que agora estou tendo a crise dos 35. Ando tão esquisitinha. Descolada do mundo.

OK, essa sensação de I don't belong here é minha velha conhecida. Vai e volta com frequência. Nem sei porque eu ainda me dou conta que ela existe. Mas o problema é que estou triste sem motivo e além da conta.

Tenho a nítida sensação de que estou exagerando no autoboicote, mas não tenho conseguido mudar isso. Levanto cedo pensando que preciso reagir, sair da mesmice, mudar o que me incomoda, mas até o meio do dia já voltei para a falta de perspectiva. Luto diariamente contra meu desânimo. Sei, os dias frios não estão ajudando. Mas não é só isso. É um olhar para trás e pensar: e aí, fiz o que de bom em 35 anos?

Quase nenhuma das minhas metas traçadas naquela crise de dez anos atrás foi cumprida. Não sou nem de perto a profissional que gostaria de ser. Eu me tornei outra pessoa de lá para cá, um pouco menos ansiosa, mas tão insegura quanto.

Vendo mais uma crise no jornalismo, penso se fiz uma boa escolha nas minhas duas opções profissionais. Sim, escrever é o que eu gosto de fazer para viver, mas o quanto já me distanciei do propósito original? E o propósito original hoje me faria feliz?

Essa é a questão no centro da crise: o que me faz feliz? Feriado com o marido, caminhadas na Ilha Grande, conversas com as amigas, comida gostosa... Tudo isso me faz feliz. Mas sinto que a minha tristeza está ligada à falta de sucesso profissional. E o que me realizaria profissionalmente? Será possível que algum dia eu poderei ver com bons olhos algum trabalho que fiz? Não sei. Acho que no campo profissional sempre serei extremamente crítica. Tenho a impressão que nunca farei algo que valha.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O fim

Ontem fomos todos surpreendidos pela notícia de suicídio de um ex-colega de trabalho. Alguém comum, que dava sinais de que não se encaixava no mundo, como todos nós em alguns momentos da vida damos. Mas obviamente ninguém esperava de verdade que a solução que ele encontraria para exterminar sua angústia fosse dar fim à própria vida.

Tem um nó no meu peito desde que recebi a notícia. Além da tristeza de ver uma pessoa de 35 anos decidir por não viver mais, o fato me trouxe um trilhão de lembranças à memória. Dos tempos em que eu também achava que o melhor para mim e para quem era obrigado a conviver comigo seria se eu não existisse mais.

Se identificar com esse colega é o que está me assustando mais. Não, hoje não tenho mais esta intenção. Há muitos anos, graças a Deus, eu desisti da ideia. Mas hoje estou aqui pensando: e se eu não tivesse desistido? E se eu, assim como este colega, nos prós e nos contras tivesse decidido por também me atirar pela janela? E se aquele pensamento que me impediu com a imagem da minha mãe chegando em casa e me vendo sem vida não tivesse passado pela minha cabeça naquela hora?

Sei, não devemos viver no "e se", mas desde ontem não sai da minha cabeça como um ato pode mudar um destino. Uma única atitude marca para sempre a vida de muitas e muitas pessoas. Por mais triste que seja, essa atitude dele levou todos nós a pensar em valorizar mais os amigos e a não deixar para depois as manifestações de carinho.

Espero que ele tenha encontrado a paz. Finalmente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A difícil tarefa de esvaziar a mente

Às vezes tudo o que eu queria era um botão que fizesse minha mente se esvaziar. Não completamente. Queria que ali ficasse apenas o que é realmente necessário para que eu consiga realizar com a eficácia devida as tarefas do dia a dia.

Nos dias que os pensamentos se confundem, atrapalhando o fluxo do raciocínio de trabalho, corro para este blog e escrevo para organizar a minhocasa. Assim vai cada minhoca para seu caminho pré-determinado. Cada uma volta a se remexer da sua maneira caótica-ordenada e sigo eu com minha mediocridade cotidiana.

Hoje é a tristeza que me atrapalha um pouco. No momento em que tudo é exacerbado pela TPM e pela proximidade do inverno, vejo com desespero a notícia de atentado a bomba na Maratona de Boston. O que leva as pessoas a odiarem as outras gratuitamente? Por que alguém mata gente que nem conhece?

As corridas de rua são momentos de celebração. Seres humanos lutando contra a própria limitação do corpo. Não me sai da cabeça a cena do pai cruzando a linha de chegada e, quando o filho de oito anos corre para abraçá-lo, BUM. Em vez da alegria, a morte chega aos braços do pai, já exausto pelos 42 km da mais tradicional maratona do mundo. A criança _que nada entende ainda de terrorismo, que provavelmente nem sabe da política internacional dos Estados Unidos, que não vê ligação da imagem dos super-heróis que ele admira com a luta contra o terrorismo_ acaba, vai embora, morre.

De onde vem tanta intolerância? E em que nosso país é diferente? Não temos terrorismo, nossas mortes tem motivos mais aparentes. Morre-se por um celular, porque meu time ganhou ou perdeu, porque a mulher não quis mais o marido. Temos uma guerra ainda pior. Com estratégias de guerrilha que tomam as ruas.

Estou sem esperanças.

domingo, 3 de março de 2013

Sofridos

Há muitos anos, assisti no Supercine um filme sobre crianças diabólicas. Pequeninos de menos de dez anos capazes de cometerem crimes horrendos: matar a família, por fogo na casa, torturar bichos... O longa era daqueles "baseado em histórias reais", que usava como ponto de partida alguns estudos de psicologia que defendiam que, uma vez a criança tendo sofrido demais na primeira infância (e era cada coisa horrível que os bebês do filme passaram...), ela não tinha mais como ser uma boa pessoa. O ser estaria para sempre marcado por aquela violência que sofreu quando nem sabia o que era sofrer.

Recentemente eu percebi que existe muita gente que, tento sofrido demais na vida, é exatamente assim: não consegue aplicar a bondade pela bondade no dia a dia. Claro, salvo as devidas proporções. Não estou falando de criminosos. Estou falando de pessoas normais que simplesmente não conseguem acreditar no ser legal por ser legal.

Eu tenho uma filosofia bem piegas que é tentar fazer deste um mundo melhor. Se cada um fizer sua parte, este será um lugar melhor para viver. Claro que eu tenho a necessidade de ser querida pelas pessoas e, em parte, minha preocupação em ser legal tem a ver com a vontade de ser bem aceita, mas também acho que fazer deste um mundo melhor é obrigação de todos nós.

Só que tem gente que, simplesmente, não acredita que isso seja possível. Gente desconfiada, que parece não acreditar na existência da bondade. E se a gente adora apontar erros porque também não pega o costume de elogiar as boas práticas? Se cada vez que alguém fizesse uma coisa legal a gente elogiasse, será que não seria mais fácil ter adeptos à teoria de ser melhor para fazer deste um mundo melhor?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sempre tem espaço para aprender

Há algum tempo eu defendo que nada do que a gente vive é por acaso. Por pior que seja o acontecimento sempre dá para tirar uma ou duas boas lições, mas para isso é preciso que a gente ajuste a sintonia de aprendizagem.

Uma das dicas mais importantes que já recebi me foi dada durante as aulas de teatro amador que fiz no colégio, nos anos 90. Sempre que começava alguma discussão (geralmente, elas eram parte dos exercícios de interpretação), o diretor nos proibia de interromper o outro. "Ouve tudo o que ele tem a dizer primeiro, depois você argumenta", dizia. A teoria dele era a de que, enquanto pensamos nos argumentos para rebater as opiniões do outro durante a discussão, paramos de escutar os argumentos dele. A ideia era escutar tudo o que o outro tinha a dizer primeiro para depois pensar nas suas respostas. Parece bobo, mas faz toda a diferença. Quantas discussões não acontecem justamente porque as pessoas não conseguem conversar? Todo mundo querendo ter razão. Às vezes, ambas têm mesmo, mas um não consegue enxergar o ponto de vista do outro e entender que a discussão na verdade é à toa.

Eu tento usar um princípio parecido para amenizar as consequências dos meus preconceitos e das minhas ideias pré-concebidas, já que a gente tem uma tendência imensa a resistir ao novo.

Na vida profissional, principalmente, é muito comum a gente ver as pessoas maldizendo as mudanças antes mesmo de ouvir como elas funcionarão. Nessa hora é bom por em prática aquele aprendizado do teatro. Por mais que a ideia pareça ou seja uma bobagem (e às vezes não é só nosso preconceito, ela é ruim mesmo), primeiro ouço com atenção o que está sendo proposto. Só depois de tudo exposto, eu vou analisar meu ponto de vista. Algumas vezes, eu até prefiro colocar a ideia em prática sem concordar, só para ter a certeza que não era meu preconceito minando os acontecimentos.

Eu percebo que tem gente que se apega demais ao "não vi e não gostei". Antes mesmo de terminar de ouvir um ideia nova, a pessoa já fecha as portas e já põe o rótulo de ruim na novidade. É assim que a gente perde as chances de aprender.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Bichinhos

Já contei aqui outras vezes minha paixão pelos gatos. Desde criança, quando minha mãe apareceu em casa com um filhotinho que encontrou na rua, esses são meus bichos preferidos. Mas sei que sou exceção. Por mais que a popularidade dos gatos tenha aumentado ultimamente, eles ainda são vistos com maus olhos por muitos.

Só que eu também sei que eles são, na verdade, vítimas de preconceito. Muita gente que não gosta de gato não teve oportunidade de conviver o suficiente com eles. Os argumentos de quem não gosta dos bichanos não variam muito. "Ele preferem a casa ao dono" ou "eles não são companheiros" estão entre as justificativas favoritas, mas todas essas teorias caem por terra se a pessoa passa a entender o funcionamento do gato.

Gatos são bichos com personalidade. Em um post anterior, já citei que eles são os criados com a vó do mundo animal. Não é que o gato gosta mais da casa que do dono, mas ele é apegado à rotina. Se você mudar, é melhor deixar o bichano fechadinho em um cômodo da casa nova por uns dias. Não porque ele goste mais da casa antiga do que de você, mas porque aquela casa nova não é a dele. É como uma criança mimada que tem de se mudar de cidade. Fica semanas, até meses, dizendo que aquela não é a cidade dela, a escola dela, a casa dela...

Muitos julgam os gatos como más companhias porque estão acostumados à felicidade do cachorro. Os cães fazem festa para o dono o tempo todo. Mesmo se o dono os trate mal. Esqueça este comportamento se você tem um gato. Eles são ótimas companhias, mas para quem gosta de silêncio e calma. Quando estou triste, a Preta (e antes de novembro o Chico também) não sai do meu pé. É o tempo todo por perto. Mas geralmente sem barulho algum. É como aquele amigo que sabe que às vezes tudo o que você precisa é saber que ele está por perto, sem dar conselho, sem oferecer solução. Apenas um ombro amigo.

Há algumas semanas um rapaz que trabalha comigo e que nunca gostou de gato contou que a mulher dele havia adotado uma gatinha, que deu cria seis filhotinhos. A princípio, ele não gostou muito da ideia, mas ela o convenceu a ficar com a mãe e dois filhotinhos. Nos primeiros dias, ele contava histórias dos gatos um pouco contrariado. Agora, vira e mexe posta foto dos bichinhos nas redes sociais. E não só os dele: esta semana publicou até imagens de um desenho animado antigo protagonizado por gatos.

Assim são os bichanos. Quando a gente vê está apaixonada por eles. E nem adianta querer dizer que é dono de um gato. É o gato que tem o dono.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Do que eu corro

A corrida é um esporte bem simples. Desde que você não tenha nenhum problema de saúde (e para ter certeza disso é bom ir ao cardiologista antes de sair desembestado), é colocar em prática o clichê: calçar um par de tênis e sair por aí. Mas quem não foi mordido pelo bichinho da corrida, tem dificuldade em entender porque raios alguém corre. Gente que simplesmente não consegue ver sentido em acordar às 5h em um domingo de chuva, ir para o ponto esperar o ônibus e depois correr por horas até. Bom, descrevendo assim, eu chego a entendê-los.

É comum me perguntarem, por exemplo, se eu ganho alguma coisa com isso. Pois aí é que está o segredo. Ganho disposição, bom humor, orgulho por superar meus limites. Nada palpável, mas nem por isso menos importante que chegar ao pódio. Lógico que eu gostaria de competir, mas não é para mim. Talvez se eu me dedicasse com afinco aos treinos e tivesse mesmo uma meta neste sentido, eu conseguisse ser mais rápida, mas não é isso que eu quero (ao menos por enquanto).

Quem não corre pode não acreditar nos benefícios ou mesmo achar que não vale o sacrifício, mas o ganho mesmo que não envolva troféus é muito claro. Neste ano, eu ainda não comecei os treinos. Depois da São Silvestre, saí para correr só um dia (e como eu estava triste demais o choro não me deixou respirar depois dos 3 km e tive de parar). E agora estou aqui, bem arrependida da minha preguiça das últimas semanas. Ontem dormi supermal e hoje o sono ainda não deu o ar da graça.

Outro aspecto positivo é o simbolismo que a corrida carrega. Não é raro eu conseguir vencer meu desânimo quando penso em algo que devo deixar para trás. Corro da preguiça, corro do medo, corro da pança, corro da ansiedade... São muitos motivos para calçar o tênis e sair por aí. Alguém se anima em me acompanhar?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Nós cegos

Família é algo curioso. Você passa anos sem encontrar os parentes e, mesmo assim, o amor incondicional está lá. É mais que laço, é nó cego. Não tem como desatar.

O carinho criado na infância fica adormecido, mas quando você encontra com essas pessoas lembra que todo aquele amor continua lá. Mesmo aquelas pessoas que não seriam suas amigas por opção e que você se afastou por falta de afinidade tem lá um espaço especial no coração.

Hoje vi primos e tios que não via há muito tempo. A ocasião era triste. O enterro de um tio, irmão do meu pai. Mas como já contei aqui no post anterior, estou na fase de aprender com as tristezas e até nesse encontro consegui achar um motivo de felicidade. Ver pessoas queridas me fez bem.

É verdade que já existiram muitas desavenças entre mim e minha família. Principalmente na adolescência, eu me sentia incompreendida, injustiçada com as críticas, magoada com o tratamento que eu recebia muitas vezes. Mas se tem algo que os 30 anos trazem é a resiliência. Como diz aquela música-chiclete "what doesn't kill you makes you stonger".

Uma das minhas primas que perdeu o marido recentemente me lembrou que é nessas horas que a gente vê que não dá a atenção que deveria às pessoas queridas. E ela tem razão. Há anos devo visitas a algumas tias que adoro. Elas sempre me convidam para ir à casa delas e eu sempre digo que vou, mas acabo me enrolando na rotina e não apareço. Logo eu que vivo cobrando a presença da minha sobrinha que desapareceu depois que começou a namorar.

Assumi esse compromisso comigo mesma hoje. Já que minhas resoluções para este ainda não estão fechadas vou começar com esta: pagar as visitas que devo às pessoas que eu quero bem. Mostrar a quem eu gosto a importância que eles têm na minha vida.