Os 35 chegaram e com eles a minha usual crise da década (fazendo um balanço, acabo de perceber que minha outra depressão foi aos 15 anos. Vou lembrar de perguntar à minha mãe se tive crise aos 5 anos também). Mas se tem algo positivo de se passar nos 30 anos é a chegada da maturidade. A gente aprende a deixar de nhenhenhém e corre atrás da solução (OK, nem todo mundo é assim. Conheço um punhado de gente que adora reclamar da situação, mas não muda uma vírgula para sair dela).
Há algumas semanas, eu fui à ginecologista e ela, percebendo meu grau de ansiedade, começou a investigar como eu estava. Em três perguntas, ela me levou às lágrimas. Justamente porque contando para ela que me conformei com a situação da minha profissão, eu me dei conta de que estava mentindo para mim mesma. Eu quero mais. Eu quero a paixão do maestro João Carlos Martins. E ela me disse uma frase que vem martelando na minha cabeça desde então: "Você é muito brilhante para se afogar assim".
Pode parecer bobagem, mas aquela citação típica de livros de autoajuda me fez perceber que eu realmente sou dona do meu destino. O que acontece na minha vida é resultado direto das minhas atitudes. Eu sou a responsável pela maneira como o outro me trata. Eu devo me respeitar para que o desrespeito alheio não me atinja.
A minha situação profissional é o ponto nefrálgico da atual crise. Estava me sentindo incompetente, deslocada, inútil até. Mas como não se muda a situação agindo da mesma maneira, eu resolvi que era a hora de fazer diferente: virei a maníaca das planilhas, coloquei o trabalho em dia a custas de trabalho escravo horas-extras pro bono, passei a me esforçar para entender que algumas críticas viriam independente do resultado alcançado... Isso mudou a minha vida. Tirar o foco de mim, entender que isso não estava no plano pessoal me libertou.
Não vou mentir. A falta de reconhecimento ainda me deixa muito decepcionada, mas aprendi a focar nos meu objetivo: fazer o meu melhor. Faço por mim, para valorizar a profissional que eu quero ser, não para atender a demanda impossível. Não sou perfeita, claro, mas me esforço para entregar o que é melhor dentro das minhas condições.
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