quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As infâncias alheias

Não entendo este saudosismo das pessoas em relação às suas infâncias. Há mais de uma semana, uma porção de gente tem trocado suas fotos do Facebook por imagens em suas versões mínis, quase sempre acompanhadas de comentários do tipo era feliz e não sabia. Eu nem fotos da infância tenho comigo. E também não tenho toda esta saudade daquele tempo.

Talvez porque, naquela época, eu não pensasse menos que agora, mas tinha bem menos recurso para lidar com todo este caos que reina na minhocasa. Todo esse sentimento de não pertenço lá era tão mais forte e violento. Tão mais visível para mim. Eu ainda não tinha o tal orgulho de ser não gostável, mas era tão ou mais não gostável que agora.

Eu não conseguia entender por que eu não podia ser tão expansiva quanto os meninos, por que eu não tinha o direito de ser brincalhona, de ser quem eu gostava de ser. Exigiam de mim um comportamento que não era meu. E levou anos para eu entender que nadar contra a corrente tem seu preço.

Postar hoje uma fotinho daquele tempo, ao menos para mim, seria um retrocesso. Posso estar sendo despeitada, mas duvido que toda esta galera que se diz resultado de uma criança feliz também não está "feicebucando" a realidade.

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