terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma só adversária

Este ano participei de uma prova que tinha como slogan "Milhares de inscritos, um só adversário". A Mizuno 10 Miles, que aconteceu em abril, tinha um percurso de 16 km (como o próprio no me já diz) e foi usada por mim como treino para a Meia Maratona, que fiz no começo deste mês. Durante a corrida, o slogan se mostrou muito mais que verdadeiro. Eu fui o único obstáculo que tive de enfrentar na prova.

Minha minhocasa reagiu de maneira errada ao ouvir pelo iPod as mesmas músicas que tocaram na minha primeira prova de 16 km (cujo perrengue está descrito no post Acontecimentos inspiradores logo abaixo deste). Só que quando eu vi que minha mente estava no modo auto-boicote, eu reprogramei meus pensamentos. Troquei as músicas para a seleção nova que tinha feito uns dias antes e relembrei que, desta vez, diferentemente da outra, eu tinha feito tudo certinho no dia anterior, então não havia motivo algum para passar mal.

Na vida profissional, vira e mexe, eu também deixo o modo auto-boicote ligado. Sempre que me envolvo em algum projeto novo bacana, eu sinto que vou fazer algo para estragar tudo. Ouço até uma voz dizendo: você sempre estraga tudo. Só que a vantagem de fazer terapia desde os 16 anos é que as armadilhas do inconsciente passam a ser mais facilmente identificadas. E fica bem mais óbvio de perceber que eu estou sendo minha única adversária.

Então, como fiz na tal prova de abril, eu troco a seleção musical, relembro porque eu sou capaz de fazer tal trabalho e dou o meu melhor para ter um bom resultado. Não vou mentir. Até que eu receba um elogio _ou que passe alguns dias sem ouvir reclamação, ao menos_, eu ainda acho que ele foi mal feito, mas ao menos agora eu não desisto antes de terminar com medo de ter um resultado ruim.

Tenho minhas dúvidas se um dia vou conseguir não ter essa insegurança, mas dizem que quando a gente conhece o inimigo fica mais fácil vencê-lo. Espero.

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