terça-feira, 3 de julho de 2012

A vida feita de desencontros

Ultimamente, como não poderia deixar de ser, tenho pensado muito na minha vida profissional. O desemprego faz isso com a gente. É tempo de pesar as escolhas feitas no passado, sonhar com um futuro mais promissor e esperar ter boas propostas no presente.

Reparei, há alguns dias, que existe uma certa semelhança entre a vida profissional adulta e a vida amorosa adolescente. O mundo é feito de desencontros: quem eu quero não me quer, quem me quer eu não quero.

Lá nos anos 90, eram assim os meus (não)romances. Os caras por quem eu era apaixonada não queriam nem saber de mim. Alguns (como boa geminiana eu tinha uma nova paixão por mês), inclusive, nem sabiam meu nome. Os poucos (se eu sou estranha aos 34 anos, imaginem com 16... Com "poucos" eu quero dizer muito poucos, pouquíssimos) que se interessavam por mim, não tinham a minha admiração.

E assim eu sobrevivi àqueles anos sombrios. O que me dá esperança. Nem foi tanto tempo até eu me apaixonar por alguém apaixonado por mim. Quer dizer, agora eu digo isso. Na época, parecia bem uma eternidade.

O ciclo se repete agora. Só que na vida adulta, ele acontece no campo profissional. Estou aqui esperando que aquela empresa bacana (ou ao menos uma daquelas que eu tenho na minha lista de "lugares possíveis para vender a força de trabalho") se apaixone por mim. Ou que eu me apaixone por uma dessas poucas que me querem. E olha que as empresas que me querem são em número muito menor que os meninos da adolescência.

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