Muito mais que o fracasso, é o sucesso que me apavora. Ao fracasso já estou acostumada. Desde sempre lido com ele. É minha zona de conforto. Sem contar que fazer papel de vítima sempre é mais fácil. As pessoas se compadecem dos sofredores.
Veja a novela, por exemplo. Espectadores de Avenida Brasil já começam a ter dó da vilã Carminha, que depois de cem capítulos de maldades está provando do próprio veneno há uma semana. É suficiente para terem raiva de Rita, que desde de sempre é a verdadeira vilã da novela (quem acompanha o trabalho de João Emanuel Carneiro sabia desde o começo que o jogo ia virar).
Mas o sucesso, além de ser novidade, é mais arriscado. Quando se é perdedor, uma vitória ou outra é apenas um golpe de sorte e facilmente se volta ao limbo. Mas quando se é vencedor, com todos os holofotes voltados para si, uma derrota é suficiente para minar o trabalho todo. É como se todos, inclusive você mesmo, estivesse esperando um deslize para dizer: "viu? Eu disse que era uma fraude".
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