No feriado da última quinta-feira, estava indo para a academia quando uma senhora embarcou no mesmo ônibus, que estava praticamente vazio. Comigo deviam ser cinco passageiros.
Ao encostar na catraca, a mulher que levava um buquê de lírios nas mãos virou para o cobrador que conversava com o motorista na frente do coletivo com um certo tom de arrogância e disse: "Vamos trabalhar um pouco?". O homem não gostou nada da ironia e respondeu com a voz um pouco alterada. "Eu estou trabalhando desde 4h, minha senhora. Tenha um pouco de educação com as pessoas", reclamou.
A senhora, por sua vez, achou-se no direito de jogar na cara do cobrador que era aposentada. "Já trabalhei muito na vida, agora posso passear". O bate-boca continuou por alguns metros, até ela descer no mesmo ponto que eu.
Cada um foi para o seu lado e eu fiquei pensando na cena por algum tempo. Com certeza, os ouvintes da história na versão do cobrador darão razão a ele. Onde já se viu? A mulher entra no ônibus, no meio do feriado, e vem com grosseria para cima de quem está trabalhando. Só porque é velha acha que pode maltratar os mais novos.
Por outro lado, os parentes da velhinha também devem estar certos de que o cobrador foi muito do mal-educado: em vez de estar em seu posto, fica lá, de papo com o motorista, fora do lugar dele, ainda atrapalhando a atenção do condutor. A senhora tem de esperar em pé ao lado da catraca até que ele tenha a boa vontade de fazer o serviço dele. Serviço pelo qual é pago. Absurdo.
Eu, uma espectadora quase imparcial, tive a impressão de que o conflito -assim como muitos outros que vemos todos os dias- teria sido evitado se cada um dos envolvidos tivesse se colocado no lugar do outro. Afinal, os dois tinham razão. O cobrador tinha, sim, de estar no posto dele. Mas a mulher também devia ter usado um pouco mais de educação. No entanto, um quis ter mais razão que o outro, quis ganhar no grito aquilo que a argumentação mostrou estar empatado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário