quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Anjos de patas

Bichos de estimação são seres curiosos. Mesmo sem dizer uma palavra (e até por isso), muitas vezes, são as nossas melhores companhias. Incontáveis são os dias tristes que já passei só com o Chico e a Preta do meu lado, como se quisessem dizer que nunca estou sozinha.

Agora que o Chico está doente, tenho pensado muito sobre o quanto os gatos são importantes para mim. Hoje o gato que já teve o apelido de Chico Pacotinho por sair correndo para pedir comida toda vez que a gente abria um pacote está recusando até carne moída. Triste demais.

Eu desde sempre amo gatinhos. Quando era pequena tinha vários. Um em especial, o Tico, era meu preferido. Ele nasceu lá em casa e não tinha um dos olhinhos. Acho que por ele ser diferente eu acabei me apegando mais a ele. Todos os dias o Tico me esperava chegar da escola para brincarmos de escolinha. Eu o ensinava a ler as sílabas na lousa. Ele ficava lá, do meu lado, sentado, ouvindo minhas histórias.

Os gatos são bichos com personalidade forte. Eu não conheço um gato que fique muito perto de quem não gosta deles. Só se for para deixar a pessoa com medo. E essa é a parte mais divertida dos gatos. Eles são donos de si. Talvez por isso eu os admire tanto. Eles sabem o poder que têm e usam isso a seu favor.

Não concordo quando dizem que os gatos gostam mais da casa que do dono. Eles só não gostam de mudar de casa. São mimados. Os criados com a vó do reino animal. Querem tudo do jeito deles. Depois que se tem gato, a casa segue algumas regras deles. Por exemplo, por mais que o dono tente, sem uma barreira física poderosa, não conseguirá deixar o bichano longe do sofá. Mas confesso que hoje uma boa afiada de unha no braço do sofá me deixaria bem feliz.

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